A agência e funcionários norte-americanos vão discutir o cronograma para o fechamento do reator e os detalhes técnicos da monitoração e verificação, como por exemplo a instalação de câmeras e a localização dos inspetores da ONU. Desde que surgiram as primeiras suspeitas quanto a um programa nuclear bélico na Coréia do Norte, no começo dos anos 90, a agência de monitoração da ONU e a Coréia do Norte estão em disputa sobre o acesso que os inspetores deveriam ter a locais suspeitos de abrigar instalações nucleares, e aos dados quanto a pesquisas do país, que vive em isolamento.
"Com a transferência dos fundos estavam congelados no Banco Delta Ásia, em Macau, de acordo com nossas exigências, a problemática questão dos fundos congelados enfim foi resolvida", informou a agência oficial de notícias norte-coreana, KCNA, citando um funcionário do Ministério do Exterior. "Nós começaremos a implementar o acordo de 13 de fevereiro, seguindo o princípio de ação por ação".
No acordo fechado em fevereiro com os Estados Unidos e quatro outros países, a Coréia do Norte se comprometeu a fechar a central nuclear de Yongbyon, a qual, de acordo com estimativas dos serviços de informações norte-americanos, produziu plutônio suficiente para oito ou 10 bombas nucleares, até o momento.
Para garantir que a Coréia do Norte cumpra sua promessa, Washington fez diversas concessões. Concordou em liberar os US$ 25 milhões em fundos norte-coreanos congelados no banco de Macau, ainda que o Departamento do Tesouro norte-americano tenha incluído o banco em sua lista negra por lavagem de dinheiro em benefício de Pyongyang.
Os norte-americanos também tiveram de transferir o dinheiro questionável a outras contas controladas pela Coréia do Norte, porque a liderança do país queria que Washington demonstrasse que aceita o país como parte do sistema financeiro internacional.
Em seguida, Christopher Hill, o principal negociador nuclear norte-americano, fez uma rara visita a Pyongyang na semana passada a fim de demonstrar que o governo Bush, que no passado alegava que a Coréia do Norte era parte do "eixo do mal", estava tratando o país com seriedade nas negociações.
Washington havia prometido liberar o dinheiro até a metade de março, e a Coréia do Norte, de sua parte, prometeu fechar o reator até a metade de abril. Mas o processo demorou consideravelmente mais do que se esperava, porque poucos bancos se dispuseram a receber o dinheiro contestado. Por fim, o Dalkombank, da Rússia, aceitou agir como intermediário e anunciou na segunda-feira que o dinheiro havia sido transferido para o Banco do Comércio Exterior da Coréia do Norte.
A Coréia do Norte anunciou que usaria o dinheiro liberado "para melhorar a qualidade de vida da população e para fins humanitários", mas nem os norte-coreanos nem Washington informaram sobre como pretendiam verificar o cumprimento das promessas de Pyongyang.
Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
Herald Tribune