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FSM 2006 na Venezuela é polêmica na organização

31 de janeiro de 2005 16h08

A possibilidade de que o Fórum se instale em 2006 em Caracas foi motivo de fortes polêmicas, devido ao conflito político vivido numa Venezuela polarizada e o temor de que o "chavismo" se "apodere" do movimento.

A proposta, segundo fontes do Comitê, aprofundou as diferenças entre os que sustentam que o Fórum Social é um espaço livre para o encontro e troca de idéias entre os ativistas, e os que acham que o "altermundismo" deve se organizar como um espécie de partido político global e planejar a tomada do poder.

Chico Whitaker, um dos fundadores do Fórum e opositor a que o "altermundismo" converta-se em "partido global", explicou hoje que os membros do Comitê se reuniram com Chávez, em Porto Alegre, e lhe disseram que para ir a Caracas seriam necessárias algumas "garantias". "Foi explicado a ele (Chávez) como funciona o Fórum e dissemos que, se for em Caracas, seu governo deverá garantir a liberdade e o espírito pluralista do encontro", contou Whitaker.

Da mesma forma se expressou Raul Pont, um dos impulsionadores do Fórum Social e prefeito de Porto Alegre quando foi celebrado o primeiro encontro, em 2001. "Quando começamos, cuidamos para que nem partidos nem governos nos usassem, pois eles têm seus próprios foros", disse ele.

Segundo Pont, caso o Fórum seja realizado em Caracas, "teremos que estar bem seguros de que nem o governo nem o movimento bolivariano usarão este espaço como uma plataforma de propaganda política". Fontes do Comitê admitiram que, em parte por essas diferenças, o Fórum Social terminou hoje em Porto Alegre sem decidir onde, nem quando, nem como será realizado no próximo ano.

Até agora, o mais provável é que em 2006 o Fórum se divida em pelo menos três eventos, que seguiriam coincidindo com as datas do Fórum Econômico de Davos (Suíça), antítese desse movimento. Um seria na África, outro na Ásia e outro na América, com Caracas como sede neste último caso. No entanto, nada está decidido.

Oded Grajew, outro dos fundadores do Fórum Social Mundial, disse que a decisão final será tomada numa reunião que o Comitê terá em março, na Europa, e esclareceu que poderiam surgir alternativas a Caracas, entre as quais, citou Buenos Aires e Cidade do México.

A ala mais radical do Fórum, integrada, entre outros, pelo jornalista espanhol Ignacio Ramonet e o paquistanês Tariq Ali, ratificou sua intenção de que Caracas seja a sede, para deixar bem claro o "apoio" do "altermundismo" à "revolução bolivariana".

Em uma de suas intervenções, Tariq Ali criticou o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que teve um discreta passagem pelo Fórum, na quarta-feira passada. Chegou a insinuar que Lula traiu os ideais que defendia quando era membro do Fórum Social Mundial. Ao falar de Chávez, Ali disse que, "no Iraque, está a resistência armada e no governo bolivariano está a resistência democrática ao imperialismo".

Ali, reconhecido teórico do marxismo, disse que deve se "deixar de lado as visões românticas" e afirmou que "é preciso atuar, porque o inimigo atua, e seguir Chávez, que também está atuando". Emir Sader, outro partidário da "linha dura", disse que as pessoas devem entender que o Fórum Social Mundial "não é (o festival de) Woodstock, isto é luta".

O próprio Chávez apoiou essa mensagem e no domingo proclamou que "o socialismo não morreu" e que o Fórum deve "passar à ação", para "elaborar" e "desenvolver uma agenda social mundial contra as hegemonias reinantes".

EFE
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