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Carmo Dalla Vecchia é uma das surpresas de Cobras & Lagartos

06 de maio de 2006 12h00

Carmo Dalla Vecchia entra no elenco de  Cobras & Lagartos. Foto: Luiza Dantas/Carta Z Notícias/TV Press

Carmo Dalla Vecchia entra no elenco de Cobras & Lagartos
Foto: Luiza Dantas/Carta Z Notícias/TV Press

Uma sinistra surpresa preparada pelo autor João Emanuel Carneiro está por vir em Cobras & Lagartos. A partir do fim de maio, o ator Carmo Dalla Vecchia passa a integrar o elenco da novela das sete da Globo na pele de Martim, introspectivo e perturbado rapaz que sofre de uma doença psicológica chamada "fuga psicogênica".

Leia o resumo de Cobras & Lagartos

Acostumado a viver personagens problemáticos, o ator será responsável por trazer um tom sombrio à bem-humorada trama, além de protagonizar um triângulo amoroso com Celina e Letícia, mãe e filha na trama - papéis das atrizes Ângela Vieira e Cléo Pires, respectivamente. Antes de conhecer ambas, no entanto, o jovem rapaz irá se deparar com uma situação um tanto inusitada: Martim acordará na cama de um motel ao lado do corpo de uma mulher morta. "Vou fazer a parte 'thriller' dessa novela, que ainda não entrou no ar até o momento", empolga-se o ator.

Mecânico especializado em conserto de motos, o personagem de Carmo Dalla Vecchia vive no melhor estilo "easy rider" em um trailler numa cidadezinha de beira de estrada, no Rio Grande do Sul. Misterioso, o rapaz é desconhecido pelos habitantes do local. Sua história na trama começa quando Martim conhece Nikki, personagem de Tânia Khalill - que também estará no folhetim em breve.

Na busca por informações sobre o seu passado, o mecânico larga tudo no Sul e vem para o Rio de Janeiro em sua "turbinada" Harley Davidson. Na bagagem, uma curiosa angústia: Martim escuta a voz de uma mulher desconhecida e tem visões da moça, que sempre aparece com um vestido longo de festa completamente molhado. "É um papel que não foge muito à linha dos que eu tenho feito em meus últimos trabalhos. Mas confesso que sinto prazer em interpretar personagens problemáticos", afirma Carmo, com bom humor.

Morto na minissérie da Globo A Casa das Sete Mulheres e nos folhetins Serras Azuis e Seus Olhos, ambos do SBT, Carmo tem uma engraçada contradição em sua trajetória televisiva. Após interpretar papéis em seqüência de homens que morreram durante as tramas, o ator não "bate as botas" desde que interpretou seu primeiro assassino. "Não morro mais de jeito nenhum! Eu que sempre mato todo mundo!", brinca o ator, que se diverte ao recordar ter lido que certa vez em um jornal a seguinte frase: "se você precisar de um ator para morrer no meio da trama, chame por Carmo Dalla Vecchia".

Em Cobras & Lagartos, João Emanuel Carneiro ainda não revelou muitas informações sobre o futuro de seu personagem. Das características de Martim, Carmo sabe apenas alguns detalhes sobre a doença sofrida pelo motoqueiro. De acordo com o ator, que conversou com dois psiquiatras sobre o caso, as pessoas que sofrem da "fuga psicogênica" apagam da memória uma passagem de suas vidas marcadas por um grande e doloroso trauma. Como não se recordam do ocorrido, elas conseguem conviver normalmente em seu meio social.

Para tal interpretação, o ator buscou inspiração no cinema, na literatura e nas aulas de boxe. Nos filmes de James Dean e no livro Leviatã, de Paul Auster, Carmo encontrou referências para Martim. "Estou em busca de elementos que me possibilitem desenvolver características distintas de antigos papéis, justamente por serem parte de um mesmo universo maluco", reforça.

Especialista em viver assassinos, Carmo Dalla Vecchia confessa ser admirador dos atores que conseguem convencer na pele dos mocinhos. Para o ator, é mais simples ser o vilão do que interpretar o bom moço. Isso porque, explica, o vilão não revela sua identidade, ele vai lá e conduz a própria ação dramática. Por outro lado, sustenta, o mocinho necessita vivenciar situações que não são normais nos dias de hoje - caso de Duda, personagem de Daniel de Oliveira no folhetim das sete da Globo, que se apaixona por Bel, de Mariana Ximenes, após olhar seu rosto desenhado em um quadro. "Você dar credibilidade a isso é muito difícil", avalia o ator.

TV Press