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"A Lua me Disse foi um presente", diz Monique Alfradique

06 de agosto de 2005 10h02

Monique Alfradique vive a personagem Branca na novela  A Lua me Disse. Foto: Pedro Paulo Figueiredo/TV Press

Monique Alfradique vive a personagem Branca na novela A Lua me Disse
Foto: Pedro Paulo Figueiredo/TV Press

Para quem foi eleita paquita depois de vencer 8,5 mil candidatas, disputar o papel de Branca, de A Lua Me Disse, com "apenas" 60 atrizes não deveria ter sido nada. Mas foi. E quem garante é Monique Alfradique. "Na hora, não sabia se ria, chorava ou gritava. Foi o melhor presente de Natal que poderia ter ganho", recorda.

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Depois de fazer discretas participações em Malhação e Da Cor do Pecado, a bela niteroiense de 19 anos voltaria a disputar um papel fixo em novelas. Das outras vezes, sempre terminava empatada com outra finalista. Mas, na hora H, a concorrência sempre levava a melhor.

Dessa vez, foi diferente. A exemplo do que aconteceu há 7 anos, quando foi escolhida uma das assistentes de palco de Xuxa Meneghel, Monique voltou a levar a melhor. "Teste é teste, não tem facilidade, não! Ou você dá tudo de si e leva o papel ou tem de esperar pela próxima oportunidade", ensina.

Dessa vez, Monique levou o papel. E não foi qualquer um. Foi o de Branca, uma das protagonistas de A Lua Me Disse. Monique ficou sabendo que havia passado nos testes em dezembro do ano passado. Mais precisamente no dia 24, véspera de Natal. Para quem freqüenta a missa todos os domingos e não tira o terço da bolsa, foi uma bênção e tanta.

Mas a "bênção" não parou por aí. De bônus, ganhou ainda uma viagem para a Áustria, onde seriam gravadas as primeiras cenas da novela. "Nossa, fiquei a mil por hora! Nunca tinha viajado antes para o exterior!", empolga-se.

Ainda emocionada com a primeira viagem internacional de sua vida, Monique só se deu conta da responsabilidade que tinha nas mãos quando chegou à cidade austríaca de Innsbruck. Lá, a novata dividiu o "set" de gravação com atrizes bem mais tarimbadas como Maytê Proença, Deborah Bloch e Aracy Balabanian.

"Sempre esperei por uma oportunidade dessas para mostrar o tanto que eu venho lutando para conquistar meu espaço. Não podia vacilar", assegura.

Das novas colegas de trabalho, Monique conta que se afeiçoou de cara com Aracy, a quem chama carinhosamente de "Ará". Mas, ao que parece, a recíproca é verdadeira. Além de presentear Monique com seu livro, Nunca Fui Anjo, Aracy também aceitou gravar um depoimento para o Domingão do Faustão, onde disse "apostar" no talento da novata. "Quando ouvi aquilo, quase desmaiei no palco. É muito para a minha cabeça", ri.

Filha do engenheiro químico Sérgio Luiz e da professora Eunice, Monique começou cedo a trabalhar. Muito antes de se tornar paquita aos 12 anos, já fazia cursos e testes para comerciais de tevê. "Sempre fui independente. Aos 8 anos, ganhei o meu primeiro cachê e fui correndo comprar um ursinho de pelúcia", lembra.

Apesar disso, não faz o tipo perdulário. Há cinco anos, por exemplo, não pede dinheiro aos pais. Paralelamente aos testes para comerciais, começou também a estudar teatro. Desde sempre, enfatiza, teve certeza de que queria ser atriz. Por isso, desbancar 8,5 mil candidatas e tornar-se paquita não foi um fim, mas um meio. Um meio para alcançar seu verdadeiro objetivo.

"Conheço meninas que morrem de vergonha de terem sido paquitas. Eu, não. Sei que, se não tivesse sido paquita, talvez não estivesse hoje aqui realizando meu sonho", pondera.

Por essas e outras, Monique não se abateu quando soube que as paquitas estavam prestes a serem extintas. Com o ocaso da parceria entre Xuxa e Marlene Mattos, em 2002, o grupo também chegou ao fim. Longe de se lastimar, fez aquilo que sempre teve vontade: matriculou-se num curso de Artes Cênicas. "Recebi a notícia da melhor maneira possível. Afinal, já tinha sugado tudo o que tinha para sugar naqueles três anos. Dali em diante, começaria a minha batalha de verdade", avalia.

Hoje, três anos depois, Monique continua nela. Depois de estrear como protagonista numa novela da Globo, sonha em fazer cinema. E, principalmente, em ser premiada por isso. "Sempre que me perguntam o meu sonho de consumo, respondo que é ganhar o Oscar de melhor atriz. Eu sonho alto, né? Já me disseram isso. Mas, se é para sonhar, que seja alto!", garante, com a desenvoltura de uma veterana.

Sonho dourado
Monique Alfradique foi uma das últimas a apagar a luz. Paquita de 1999 a 2002, pertenceu à derradeira geração das assistentes de palco de Xuxa Meneghel.

Do seu tempo, apenas ela e Daiane Amêndola, hoje dançarina do Domingão do Faustão, seguiram carreira. O grupo não resistiu ao fim da parceria entre Xuxa e a diretora Marlene Mattos e terminou também. "Já dava para sentir que a relação das duas não duraria muito tempo. Mas todo mundo ali também já sabia que a profissão de paquita não seria para a vida toda", pondera.

O sonho de ser paquita acabou. O programa também. Mas a amizade entre Monique e Xuxa, não. Tão logo estreou Xuxa no Mundo da Imaginação, a apresentadora fez questão de convidar a ex-pupila para atuar na novelinha infantil As Aventuras do Txuxucão. "A Xuxa sempre me deu o maior apoio. Ela sempre soube o que eu queria da vida", ressalta.

Quem também continuou incentivando Monique foi o então diretor do Xuxa no Mundo da Imaginação, Roberto Talma. Assim que ele assumiu a direção de A Lua Me Disse, convidou a moça para um teste.

Hoje protagonista da novela das sete, Monique não se esquece dos tempos de paquita. E, principalmente, dos cursos promovidos pela diretora Marlene Mattos. Entre os seus favoritos, cita o de interpretação, com Monah Delacy, mãe da atriz Christiane Torloni, a Haydée de América, e o de cinema, com Tizuka Yamasaki. O mais inusitado de todos, porém, foi mesmo o de patins. "Aprendi umas manobras bem radicais para usar na apresentação do programa", diverte-se.

Instantâneas
# A primeira aparição de Monique Alfradique na tevê foi uma ponta na novela Vira-Lata, de 1996. Na ocasião, chegou a contracenar com o ator Mário Gomes, hoje colega seu no elenco de A Lua Me Disse. "Até pouco tempo, eu não passava de figurante. Hoje, contracenamos de igual para igual", empolga-se.
# Na infância, Monique Alfradique não perdia um episódio sequer do infantil Castelo Rá-Tim-Bum, da TV Cultura. Dia desses, cruzou com Cássio Scapin, que interpreta o Samovar em A Lua Me Disse, pelos corredores do Projac e pediu para abraçá-lo. "Não quis nem saber e disse que era sua maior fã", derrama-se.
# Nascida em Niterói, cidade vizinha ao Rio de Janeiro, Monique Alfradique sofreu com o frio europeu. Durante as gravações de A Lua Me Disse em Innsbruck, na Áustria, os termômetros chegaram a marcar 25 graus negativos. Certo dia, a atriz quase teve as mãos congeladas numa cena em que precisou tirar as luvas.

TV Press