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"Nunca imaginei ser atriz", diz Priscila Fantin

16 de julho de 2005 10h00

Com apenas 22 anos de idade, Priscila Fantin já contabiliza quatro novelas e uma minissérie no currículo. Foto: Jorge Rodrigues Jorge/TV Press

Com apenas 22 anos de idade, Priscila Fantin já contabiliza quatro novelas e uma minissérie no currículo
Foto: Jorge Rodrigues Jorge/TV Press

Priscila Fantin é uma otimista incorrigível. Dessas que tira lições de tudo que lhe acontece. Foi isso que aconteceu em Esperança. Apesar do desgaste emocional da novela, fez amizade com Walcyr Carrasco, que substituiu às pressas Benedito Ruy Barbosa. "O curioso que é nunca imaginei ser atriz. Um dia, resolvi tentar e estou aí até hoje. Agora, se não tivesse competência, não teria emendado um trabalho no outro", enfatiza.

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Leia o resumo de Alma Gêmea

Um ano depois, ele a convidou para interpretar a antagonista de Chocolate com Pimenta. Mas a parceria não parou ali. Quando começou a escrever Alma Gêmea criou uma índia mestiça só para escalar Priscila, dona de belos olhos verdes e pele alva, como protagonista. "Fui escolhida porque o Walcyr queria alguém que passasse, no olhar, a crença na reencarnação e na existência de almas gêmeas, coisas nas quais acredito", pondera.

Na nova novela da seis, a personagem de Priscila, Serena, é a reencarnação do grande amor de Rafael, interpretado por Eduardo Moscovis: a bailarina Luna, de Liliana Castro.

A exemplo de Walcyr, adepto da Rosa-Cruz, Priscila também acredita em alma gêmea. Mas com ressalvas. "Alma gêmea é o nome que deram para uma força maior que existe entre duas pessoas que se encontram e se completam. Mas a alma gêmea pode ser a mãe, a irmã ou mesmo uma amiga e não necessariamente uma pessoa com quem temos um relacionamento amoroso", arrisca a atriz, que namora, há sete meses, o estudante de Turismo Rafael Paiva.

Com apenas 22 anos de idade, Priscila já contabiliza quatro novelas e uma minissérie no currículo. Das produções em que atuou, só não encabeçou o elenco deAs Filhas da Mãe de Silvio de Abreu. Nas demais, interpretou sempre um dos papéis principais, como a romântica Tati, de Malhação, a sofrida Maria, de Esperança, e a dissimulada Olga, de Chocolate.

Ainda hoje, lembra do telefonema de Ricardo Waddington que, em 1998, pôs fim a um intercâmbio de seis meses nos Estados Unidos. Mas, por outro lado, deu início a uma das mais promissoras carreiras dos últimos anos. Leia a seguir a entrevista com a atriz:

P - Pela quarta vez consecutiva, você faz um trabalho de época. O que mais chama a sua atenção numa produção do gênero?
R - Particularmente, acho fascinante porque sempre aprendo coisas que não aprendi no colégio. Muitas vezes, não conhecemos a verdade que existe por trás de certos fatos históricos. Por isso, acho que prestamos um serviço ao telespectador. Além disso, é uma viagem no tempo que faço a cada novo trabalho. Veja bem: Mad Maria se passou em 1911, Chocolate retratou a década de 20, Esperança foi em 1931 e, agora, pulamos para a década de 40, em São Paulo. Mas, pelo jeito, não sou a única a gostar de época. O Walcyr também adora. Hoje em dia, está tudo muito banalizado. Você mal conhece uma pessoa e já fala "Eu te amo" para ela. Naquela época, não. Essa frase demorava a sair da boca das pessoas.

P - Apesar dos olhos verdes e da pele alva, você interpreta uma índia na novela. Que cuidados tomou para compor a Serena?
R - Posso garantir que fui a primeira a levar um susto. Afinal, não tenho o tipo físico que a personagem exige. Mas o Walcyr explicou que a Serena é mestiça, filha de índia com garimpeiro. Para compor a Serena, estudei a cultura dos índios kadiweu com a ajuda do antropólogo Giovani José da Silva, que viveu oito anos entre os índios. Ele, inclusive, me emprestou um dicionário português-kadiweu e deu algumas dicas sobre o comportamento das índias.

P - Mas você não teve a curiosidade de visitar uma aldeia indígena?
R - É claro que tive! Não cheguei a fazer laboratório, mas, quando gravei em Bonito, no Mato Grosso, dei uma fugidinha num dia de folga para conhecer uma aldeia kadiweu da região. Não conhecia a região e achei tudo lindo. Espero voltar em breve. Mas, na verdade, tive mais contato com os índios guaranis aqui do Rio, que nos ajudaram a construir a aldeia cenográfica lá no Camorim.

P - Do que você mais gostou em sua visita à aldeia kadiweu?
R - Ah, de tudo! A cultura e a arte deles são maravilhosas. Foi uma experiência que guardarei para o resto da vida. Principalmente, porque tenho um lado Serena muito forte dentro de mim. Gosto desse contato com a natureza. Lá, estão todas as respostas que procuramos. Por isso, costumo recarregar minhas baterias abraçando uma árvore, regando minhas plantas ou brincando com meus cachorros.

P - Alma Gêmea fala sobre reencarnação. Você tem religião?
R - Sou batizada, fiz primeira comunhão, segui a tradição católica. Mas, depois que comecei a questionar coisas do tipo "O que é que estou fazendo aqui?" ou "Que mundo é esse em que a gente vive?", passei a entender melhor o mundo através do espiritismo. Hoje em dia, muita coisa fez sentido para mim. Alma gêmea, por exemplo, é como as pessoas chamam o encontro de dois seres que se completam, se entendem e se amam. Acho que isso, inclusive, pode acontecer com a mãe, uma irmã ou até mesmo uma amiga e não necessariamente apenas entre homem e mulher.

P - A Serena é sua quinta protagonista na tevê. A que você atribui isso? Sorte, talento ou um pouco dos dois?
R - O mais engraçado nisso tudo é que nunca pensei em ser atriz. Estava fazendo intercâmbio nos Estados Unidos, quando recebi um convite do Ricardo Waddington para participar da reformulação de Malhação. Ponderei por duas semanas. Na época, sonhava fazer Publicidade. Mas resolvi tentar. Sou do tipo que adora um desafio. Então, cheguei ao Brasil numa quinta-feira e, na segunda, já estava gravando. Por outro lado, eu acredito que, se não tivesse competência, não teria emendado um trabalho no outro.

P - Você estreou em Malhação aos 16 anos e num papel de destaque. Quais os prós e contras de debutar como protagonista?
R - O lado bom é que tive uma carga de trabalho muito grande logo de cara. Trabalhava de segunda a sábado, muitas horas por dia. De certo modo, isso me preparou para o que eu iria enfrentar ao longo dos anos. Já o lado ruim é que não podia mais, dali por diante, andar de ônibus como sempre andei ou, então, sair para passear com minhas amigas. No começo, foi complicado. Era muito tímida, não conversava com qualquer um, parecia um bicho-do-mato. Ficava assustada quando entrava num shopping e as pessoas voavam em cima de mim. Sempre fui muito na minha e, de repente, me vi dando satisfações da minha vida para todo mundo. Não entendia o porquê daquilo. Além disso, também havia a saudade. Durante cinco meses, não fiz outra coisa senão chorar todas as noites. Morava com a minha mãe no Rio, mas sentia falta da minha família e dos meus amigos, em Belo Horizonte.

P - Você costuma dizer que Esperança foi outro momento difícil em sua carreira. Por quê?
R - Porque talvez eu não estivesse preparada para tanta pressão. Foi um trabalho muito intenso, sofrido. Trabalhava de domingo a domingo, não tinha tempo para mais nada. Só saía do Projac para dormir. Durante um ano, vivi a vida de uma pessoa que não era eu. A Maria já era mãe, tinha um pai fascista, casou obrigada, sofreu um aborto, perdeu seu grande amor. Levei um ano para me recuperar dela. Na ocasião, inclusive, me sentia muito mal. Muito impotente em relação ao mundo. O problema é que me entreguei demais à personagem. Entreguei tudo o que tinha e mais um pouco.

P - Hoje em dia, se pudesse, faria algo diferente?
R - Amadureci muito de lá para cá. Conheci melhor os meus limites. Hoje, já sei onde sou capaz de chegar por uma personagem. Na ocasião, fui muito além do que deveria. Curiosamente, a Maria foi uma personagem muito intensa, mas também muito importante. Tanto pessoal quanto profissionalmente. Foi ali, penso eu, que começaram a olhar meu trabalho com outros olhos. Passaram, creio, a reconhecer mais o meu trabalho.

P - Depois de Esperança, você fez tratamento ortomolecular e perdeu quase dez quilos. Teve a ver com a novela?
R - De certa forma, sim. Fez parte do processo de recuperação da Maria. Precisava voltar a ter disposição. Me sentia estranha. Digamos que o emagrecimento tenha sido uma conseqüência boa de Esperança. A medicina ortomolecular me equilibrou. Hoje, peso 56 quilos.

P - Na época de Malhação, a Globo chegou a pedir para você perder peso?
R - Na época, fazia sentido. Tevê engorda muito. Mas nunca mais exigiram que eu fizesse regime. Sempre me aceitei do jeito que sou. Era feliz daquele jeito. Beleza, para mim, não é um conceito exterior. Vejo uma pessoa feia quando, por mais perfeita que ela seja fisicamente, é arrogante, prepotente, rancorosa. Por outro lado, me incomodava não poder fazer coisas de que eu gosto. Graças à medicina ortomolecular, posso fazer tudo que quiser.

P - Com apenas 22 anos, você já protagonizou novela das oito, minissérie de época, fez vilã. O que mais falta para você?
R - Na verdade, nunca achei que faltasse alguma coisa. Tenho uma família linda, saúde e sou muito feliz. Isso, para mim, já é tudo de que preciso. Profissionalmente, tenho vontade de fazer cinema e teatro. Disso, eu não abro mão.

Primeiros passos
Nascida em Salvador, na Bahia, Priscila Fantin mudou-se para Belo Horizonte ainda criança. Quando tinha 5 aninhos, perguntou à mãe se não poderia acompanhar a irmã Fabíola, sete anos mais velha, a uma sessão de fotos. No estúdio, a caçula chamou tanto a atenção que o fotógrafo a convidou para posar.

Em pouco tempo, Priscila viu seu rosto estampado em anúncios e "outdoors". De tanto acompanhar as filhas, Dona Silvana acabou virando produtora de comerciais. Hoje, empresaria e assessora Priscila em tempo integral. "Minha mãe faz tudo para que eu me sinta feliz. Se um dia eu quiser parar, sei que ela vai me dar todo o apoio", frisa.

Mas Priscila não quer saber de parar. Dos 11 aos 15 anos, conciliou os estudos na capital mineira com a carreira de modelo. Quando completou 16, resolveu fazer intercâmbio em Montana, nos Estados Unidos. Estava lá há um mês quando recebeu o bendito telefonema do diretor de Núcleo de Malhação, Ricardo Waddington, que mudou a sua vida. Ele tinha assistido a um teste que ela deixou numa agência de modelos em Belo Horizonte. "Não esperava que aquele telefonema tomasse o rumo que tomou. Ainda hoje, aliás, não espero nada. As coisas acontecem do jeito que elas têm de acontecer", minimiza.

Apesar da relutância inicial, resolveu aceitar o desafio. Por dois anos, fez par romântico com o ator Mário Frias e tornou-se recordista de cartas na Globo.

O assédio do público adolescente, no entanto, apavorou Priscila. A ponto de ela querer rescindir contrato com a Globo. Foi demovida da idéia pelo sempre habilidoso diretor-geral da Central Globo de Controle de Qualidade, Mário Lúcio Vaz, que a convenceu a ficar. "O assédio continua grande, mas, hoje em dia, as pessoas são mais discretas. Quando me vêem na rua, falam comigo sem tanta afobação", compara.

Espírito aventureiro
Durante as gravações de Alma Gêmea em Bonito, o diretor Jorge Fernando teve de tomar cuidado para Priscila não fazer todas as cenas de sua personagem na novela. Inclusive, as mais perigosas.

Como aquela em que Serena foge de onça, sobe em telhado e corre pela mata. "Desde pequena, já estou acostumada a andar no meio do mato. Costumo me safar bem dessas situações", gaba-se.

Encantada com a exuberância do lugar, aproveitava os intervalos nas gravações para mergulhar nas cachoeiras. Por vezes, chegou a ter hipotermia por não querer sair da água. Intrépida, arriscou-se também a brincar com uma cobra "phyton", revelando-se tão destemida quanto Serena.

Na verdade, Priscila sempre gostou de esportes. Dos mais tradicionais, como ginástica olímpica e equitação, aos mais radicais, como asa-delta e kite-surfe. Mesmo com a agenda apertada, não deixa de ir à praia para praticar sua mais recente paixão: o futevôlei. Já o surfe, que aprendeu com o antigo namorado, o ator Thierry Figueira, exercita sempre que pode. "Logo na primeira tentativa, fiquei de pé na prancha", gaba-se.

O primeiro salto de pára-quedas também não é o tipo de coisa que se esqueça tão facilmente. "A primeira vez foi em Búzios. É uma sensação indescritível, de liberdade total. Me senti um passarinho", compara.

Com um espírito aventureiro desses, é compreensível que Priscila Fantin tenha sido a primeira opção da diretora Letícia Muhana, do canal GNT, para apresentar o programa Oi Mundo Afora, exibido no ano passado. Durante 26 edições, a moça rodou o mundo e conheceu diversos países, como Chile, Escócia e Grécia. "Vou me lembrar para sempre que, aos 21 anos, a vida me deu esse presentão!", derrete-se a atriz.

Trajetória televisiva
# Malhação (Globo, 1999) - Tati
# Filhas da Mãe (2001) - Joana
# Esperança (2002) - Maria
# Chocolate com Pimenta (2003) - Olga
# Mad Maria (2004) - Luiza
# Alma Gêmea (2005) - Serena

TV Press
  1. Com apenas 22 anos de idade, Priscila Fantin já contabiliza quatro novelas e uma minissérie no currículo  Foto: Jorge Rodrigues Jorge/TV Press

    Com apenas 22 anos de idade, Priscila Fantin já contabiliza quatro novelas e uma minissérie no currículo

    Foto: Jorge Rodrigues Jorge/TV Press

  2. Pela quarta vez consecutiva, Priscila Fantin faz um trabalho de época na televisão  Foto: Jorge Rodrigues Jorge/TV Press

    Pela quarta vez consecutiva, Priscila Fantin faz um trabalho de época na televisão

    Foto: Jorge Rodrigues Jorge/TV Press

  3. Priscila Fantin em cena da novela Alma Gêmea  Foto: Globo/Divulgação

    Priscila Fantin em cena da novela Alma Gêmea

    Foto: Globo/Divulgação

  4. Priscila Fantin formou par romântico com Mário Frias em Malhação  Foto: Globo/Divulgação

    Priscila Fantin formou par romântico com Mário Frias em Malhação

    Foto: Globo/Divulgação

  5. Priscila Fantin e Reynaldo Gianequini em cena de Esperança  Foto: Globo/Divulgação

    Priscila Fantin e Reynaldo Gianequini em cena de Esperança

    Foto: Globo/Divulgação

  6. Priscila Fantin em cena de Chocolate com Pimenta  Foto: Globo/Divulgação

    Priscila Fantin em cena de Chocolate com Pimenta

    Foto: Globo/Divulgação

  7. Priscila Fantin e Antônio Fagundes em cena de Mad Maria  Foto: Globo/Divulgação

    Priscila Fantin e Antônio Fagundes em cena de Mad Maria

    Foto: Globo/Divulgação

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