Notícias » Notícias

 BID vê 2 tipos de desenolvimento na América Latina
27 de março de 2011 19h58

A recente crise global expôs dois tipos de América Latina, uma liderada pelo Brasil e outra pelo México, com desafios muito diferentes para o futuro, disse neste domingo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O organismo, que publicou neste domingo seu relatório anual sobre a região no marco da Assembleia do Banco, realizada em Calgary (Canadá), destaca que a recente crise iluminou uma nova "ordem" econômica global que difere notavelmente da existente antes de 2007.

Essa nova ordem deu um renovado destaque aos emergentes, que lideram o fim da crise e cujo incentivo contrasta com o fraco avanço dos países industrializados."Hoje 75% do crescimento na demanda global se explica pelo crescimento na demanda dos emergentes", afirmou em entrevista coletiva Ernesto Talvi, co-autor do relatório e diretor do Centro de Estudos Realidade Econômica e Social com sede em Montevidéu (Uruguai).

A nova realidade, caracterizada pelo aumento das matérias-primas, o destaque dos emergentes no comércio global, baixas taxas de juros e fluxos de capital rumo aos países em desenvolvimento oferece oportunidades e desafios à região, disse o BID.

O relatório afirma que a "nova ordem econômica global" tem o potencial de dividir o desempenho da América Latina em dois grupos bem diferenciados.

O primeiro tem o Brasil como seu maior expoente se caracteriza por reunir países exportadores líquidos de matérias-primas, por uma grande exposição aos fluxos comerciais de bens e serviços com mercados emergentes e pela baixa dependência das remessas de países industrializados.

No "grupo brasileiro" estariam os países da América do Sul: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, além de Trinidad e Tobago.

No outro grupo estariam México, junto à América Central e ao Caribe. Esses países se unem por laços comerciais muito mais estreitos, tanto em bens como serviços, com os países industrializados, por serem importadores líquidos de matérias-primas e por terem uma dependência relativamente alta das remessas de países industrializados.

O BID insiste que as atuais projeções de crescimento validam a existência de dois tipos de América Latina, ao outorgar um crescimento médio de 4,4% ao "grupo" brasileiro e de 2,7% ao mexicano.

O organismo multilateral ressalta em seu estudo que as mudanças na demanda global tiveram um "impacto significativo" nos padrões comerciais na América Latina e no Caribe.

O Brasil, por exemplo, exportava 9% de seus produtos em 2006 a seus parceiros do bloco Bric (Rússia, China e Índia), um número que aumentou para 17% em 2009, enquanto suas vendas às nações industrializadas caíram 44% em 2009, contra 50% de 2006.

A economia mexicana, destaca o relatório, tem um padrão de comportamento "muito diferente", e embora suas exportações ao grupo Bric também tenham aumentado, só representavam 3% do total em 2009, enquanto as vendas a países industrializados supõem 91%.

O relatório assinala que o grande desembarque de fluxos de capital e os elevados preços das matérias-primas fazem com que o Brasil e os demais países enfrentem problemas de aquecimento, valorização dos juros reais da moeda e um rápido crescimento do crédito.

Os desafios desse grupo passam por evitar políticas fiscais relaxadas, por isso é "importante", ressaltou o BID, que retirem rapidamente as medidas de estímulo aprovadas durante a crise.

As nações que pertencem ao "grupo mexicano" deverão, enquanto isso, apostar na estabilidade macroeconômica, assegurando a viabilidade fiscal e um financiamento estável de seus atuais déficits por conta corrente.

Além disso, as mudanças nos padrões internacionais de comércio exigem que esses países pensem "de forma criativa" na hora de redesenhar suas estratégias de produção e comércio para conectar o crescimento com a locomotiva de seus parceiros emergentes que, lembrou o BID, avança a toda velocidade.

Alejandro Izquierdo, economista do BID e co-autor do relatório, mencionou que para impulsionar o crescimento países como o México deveriam impulsionar seu mercado interno.

Na sua opinião, os países que fazem parte do grupo liderado pelo México poderiam também perseguir acordos comerciais com parceiros não tradicionais e destacou que o nível de acordos com o Brasil e América Central é agora "praticamente inexistente".

Invertia