Segundo Cândido Grzybowski, membro do comitê organizador e diretor-geral do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), o 5o Fórum Social Mundial teve como marca a diversidade dos debates com novos temas presentes. "Nós tivemos um fórum mais renovado em discussões, não se repetiram as idéias. Houve muito debate novo, muitas idéias, e uma certa vibração maior nas atividades, até as menores, onde houve muita participação", afirmou Grzybowski.
Para Francisco Whitaker, da Comissão de Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e membro do comitê, as 352 propostas apresentadas como resultado final do fórum não se esgotam com o encerramento dos debates. "O fórum foi um enorme passo para a frente. Os participantes chegaram a duas mil atividades com ações concretas. A perspectiva de fazer que as entidades e organizações conseguissem se aglutinar antes do fórum ocorreu tanto aqui, no momento de maior concentração, e depois continuam para avançar ainda mais", ressaltou.
A partir de 2006, o formato do FSM será descentralizado. Uma cidade não vai concentrar os eventos do fórum como ocorreu em todas as edições, e o evento ocorrerá em datas distintas, em série. "Os primeiros fóruns vão ser nos mesmos dias do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e vão dar a arrancada. Depois, em abril, na reunião do Conselho Internacional do Fórum em vários lugares do mundo, vão se constituir discussões sobre o próximo Fórum. E em 2007, vai ser de novo um só, unificado na África", esclareceu Whitaker.
Até agora, a Venezuela e o Marrocos manifestaram disposição para sediar partes do Fórum Social Mundial. Segundo Francisco Whitaker, ainda não está definido o formato do FSM, nem quantas cidades poderão sediar simultaneamente o evento. "Inicialmente, podem ser até mais de três cidades. É uma proposta que a Venezuela seja um desse lugares, mas não há nada confirmado", afirmou.
Para Grzybowski, a eficiência das discussões no novo formato do fórum só poderá ser comprovada depois de sua implementação. "A gente vai sofrer no campo das idéias. Ir a um lugar novo é como começar. Essa dinâmica entre o que nós estamos fazendo e o lugar novo é uma coisa que estamos aprendendo a fazer, porque não vão todos que estavam aqui", afirmou.
Em um aspecto, o diretor do Ibase acredita que o Fórum vai se tornar mais democrático: na participação de um número maior de pessoas de diferentes partes do mundo. "Em termos de diversidade de atores, esse é o nosso objetivo: conseguir envolver mais gente em zonas e áreas em que temos menos gente".
Agência Brasil