Genoino diz que saída de 112 petistas é natural

31 de janeiro de 2005 • 10h52 • atualizado às 10h52

O presidente nacional do PT, José Genoino, afirmou hoje em entrevista ao site do PT que vê com naturalidade a saída de um grupo de militantes do Partido dos Trabalhadores. Um grupo de 112 descontentes com o PT aproveitou o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, para abandonar o partido. Os dissidentes esperam que esse número aumente para 400 em um mês.

Genoino confessou que a iniciativa não o surpreendeu porque esses dissidentes já estavam praticamente fora do PT. Também assegurou que os descontentes com o partido serão tratados com respeito. O petista ainda defendeu o bom momento vivido pelo PT.

Genoino nega que o partido tenha perdido a identidade, como afirmam os dissidentes da lista. Segundo ele, o PT mantém seu compromisso com os ideais de sua fundação e o principal norteador é a luta por igualdade social. O PT luta por desenvolvimento com emprego e renda. Além disso, ele afirmou que o partido luta para conciliar a responsabilidade de ser governo e atuar nos movimentos sociais.

O deputado estadual do PT/RS, Fabiano Pereira, acha normal a debandada, devido às divergências. Ele alegou que os dissidentes faziam parte da base aliada da deputada federal sem partido Luciana Genro e já faziam planos de deixar o partido. Segundo ele, o grupo não estava entendendo o momento de transição do partido.

"Na primeira tempestade, resolveram saltar do barco", disse o deputado que afirmou que o partido perdeu alguns filiados, mas que, por outro lado, está filiando gente nova.

"Lamentamos o episódio, embora divergimos dos motivos que os fizeram sair. Os números e a popularidade do presidente Lula mostra que estamos no caminho certo".

A decisão
O grupo se reuniu no sábado à tarde para debater alternativas para a vida fora do partido na sede do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), em Porto Alegre. Na ocasião foi feito um Manifesto de Ruptura.

O documento enumera 13 motivos para largar o PT, entre os quais afirma que o partido deixou de ser um instrumento da transformação social para tornar-se um instrumento de manutenção do status quo, deixou de defender os trabalhadores para comprometer-se com o capital, escolheu seu lado e subordinou-se ao FMI, não tem mais disputas porque eliminou a democracia interna e entrou em tal estado de degeneração política e moral que já não tem como voltar a ser o que era.

No manifesto, os ex-petistas também dizem que o ciclo que fundou o partido e liberou energias revolucionárias no final dos anos 70 chegou ao fim agora. O economista Plínio de Arruda Sampaio Júnior, que estava há 25 anos no PT, afirmou que está conclamando outros petistas a se unirem aos descontentes.

A articulação também contou com o sindicalista Jorge Luís Martins, da executiva nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), com os sindicalistas Santino Arruda Silva (RN) e Carlos Campos (MG) e os economistas Reynaldo Gonçalves (RJ), Nildo Ourique (SC) e Paulo Gomes (MG).

Redação Terra
 
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