Ativistas saem satisfeitos do Fórum Social Mundial

31 de janeiro de 2005 • 08h35 • atualizado às 08h35

Os ativistas do Fórum Social Mundial de Porto Alegre estão satisfeitos com o encontro que termina hoje, apesar de terem mostrado preocupação com o futuro, principalmente em relação à decisão de dividi-lo em pelo menos três encontros em 2006.

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    O Fórum Social Mundial, que cumpriu neste ano sua quinta edição, "permitiu uma reflexão muito rica, embora muitas organizações tenham ficado nervosas porque não se reuniram e ajustaram todas as idéias", explicou o porta-voz da ONG internacional Intermon Oxfam, Xavier Masllorens. "Há diferenças entre os diversos grupos que comparecem a este encontro, mas elas fazem parte do debate, que é a essência de Porto Alegre", acrescentou Masllorens.

    Para o porta-voz da Intermon, no Fórum Social foi demonstrado que, apesar dos acordos, "divergir é um direito" e isso "é o mais bonito que um encontro como esse pode oferecer".

    Ao Fórum de Porto Alegre, inaugurado na quarta-feira, compareceram cerca de 130 mil pessoas procedentes de ONGs de todo o mundo, que se dividiram entre milhares de debates, oficinas e conferências nas quais foram tratados todos os assuntos possíveis da atualidade internacional.

    As idéias e reflexões abordadas são tão numerosas como os participantes, não havendo acordo na maioria dos casos, assinalaram alguns dos presentes ao fórum. As diferenças afetam principalmente o modelo de mundo que se quer construir, o tipo de estratégias para mudar as coisas e a velocidade com que devem acontecer as mudanças, disseram as fontes.

    O comitê organizador do fórum decidiu que no próximo ano o encontro do movimento será dividido em três: uma reunião na África, outra na Ásia e um terceiro encontro na Venezuela, cujo presidente, Hugo Chávez, chamou a atenção neste domingo na rodada final de debates e discussões.

    Sobre essa descentralização do fórum, que realizou quatro edições em Porto Alegre e outra na cidade indiana de Mumbai, também não há acordo.

    Algumas organizações veteranas consideram que dividir o fórum representa "um verdadeiro perigo", já que vai separar os participantes, e com isso as possibilidades de troca de idéias serão mais limitadas.

    Esta reflexão é apoiada pela ONG internacional Ubuntu, à qual pertence o ex-diretor da Unesco Federico Mayor Zaragoza, e cujo coordenador, Lluis Miret, afirmou que Porto Alegre não deve manter o monopólio desta celebração, mas também não deve ser dividido. No entanto, para a Intermon, a divisão do fórum faz com que sua capacidade de convocação chegue a "mais lugares".

    No que todos estão de acordo é na repercussão que o Fórum Social conseguiu na agenda internacional. Entre as conquistas deste encontro está o fato de que seu fórum antagônico, o de Davos (Suíça), que reúne os reitores da economia mundial, trate de aasuntos previamente discutidos em Porto Alegre, como a necessidade de combater a pobreza.

    Para algumas ONGs, os debates sobre questões tão importantes como a reforma da ONU, a inclusão do combate à pobreza na agenda internacional e a vigência da ordem democrática justificaram o comparecimento ao Fórum Social MUndial no sul do Brasil.

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