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Chávez pede resistência ao imperialismo dos EUA

30 de janeiro de 2005 21h29 atualizado às 21h29

Chávez palestra no Fórum Social Mundial em Porto Alegre. Foto: EFE

Chávez palestra no Fórum Social Mundial em Porto Alegre
Foto: EFE

Em discurso durante o Fórum Social Mundial de Porto Alegre, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reforçou aos participantes a necessidade da integração latino-americana e caribenha para se defender do imperialismo norte-americano. Reconhecendo que as relações entre Caracas e Washigton são tormentosas, Chávez disse que vai continuar sendo assim enquanto houver "agressão imperialista" por parte dos norte-americanos.

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    Chávez falara mais cedo, em entrevista à imprensa, que o presidente Bush é um "superman lutando pela justiça", referindo-se à guerra contra o terrorismo que Washington lidera no mundo. "O que acontece é que nós temos criptonita vermelha e da boa", ironizou. "A maior força negativa deste mundo chama-se Estados Unidos", declarou.

    À noite, no Gigantinho, afirmou que "algum dia a podridão interna vai botar abaixo o império" e que "emergirá o povo livre de Martin Luther King". Citou como exemplos dessa podridão interna a repressão crescente nos Estados Unidos e a Lei Patriótica.

    Muito carismático, chegou a cantar para o público - um trecho de uma música sobre Che Guevara, falou dos netos, fez outras brincadeiras, homenageou as mulheres ("las tipas") e citou líderes como Jesus Cristo, Mao Tsé Tung, Che Guevara, Fidel Castro, Bolivar e Sandino, entre outros.

    Ele reiterou para a platéia de 12 mil pessoas no Gigantinho que é um revolucionário. "A cada dia me convenço mais de que o único caminho para romper o domínio das elites sobre esta terra é a revolução", disse.

    Chávez começou a falar depois do diretor do Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet, e foi ovacionado pelos presentes durante todo o tempo. Foi logo anunciando que ia falar lentamente, para que todos pudessem entendê-lo melhor. "Não aprendi ainda o 'portunhol'. E o 'English', muito menos", brincou.

    "Se não fizermos o que temos de fazer - construir um mundo melhor -, se não houver força suficiente no Sul para resistir ao imperialismo de Bush, o mundo vai rumar direto para a destruição", alertou Chávez.

    Ele citou o MST como "um exemplo de luta para todo o continente", e disse que o movimento tem servido de modelo para os venezuelanos. Ao falar sobre sua viagem ao Rio Grande do Sul e os compromissos que cumpriu depois da chegada contou, em tom de brincadeira, que o líder do MST, João Pedro Stédile, disse-lhe que acompanhá-lo (Chávez) era "mais difícil que invadir terras".

    O presidente venezuelano afirmou que foi a Porto Alegre porque o Fórum Mundial é o movimento social e político mais importante hoje e tornou-se, nestes cinco anos, uma plataforma sólida para o debate. Ele completou dizendo que a delegação venezuelana foi ao FSM para "aprender e apreender", encher-se de paixão e energia no evento que "reúne e dá voz a todos os excluídos do mundo". E agradeceu toda a solidariedade à Venezuela sempre demonstrada pelos ativistas.

    O companheiro Lula
    Durante a palestra de Chávez, houve algumas vaias ao governo Lula, e num momento em que o presidente venezuelano falou sobre líderes que, ao chegar ao poder, não cumprem o que o povo espera, sucumbem ao medo, parte da platéia gritou "Lula, Lula". Também havia um revezamento nos gritos entre manifestantes que gritavam contra o governo brasileiro e os que cantavam "Lula lá", defendendo o presidente.

    Chávez falou, em determinado momento, que daria um recado, pediu atenção, disse que "para bons entendedores poucas palavras bastariam" e afirmou: "no primeiro capítulo de seu primeiro livro, Mao Tsé Tung ensina que, na revolução, é preciso ver bem quem são os verdadeiros amigos e quem são os reais inimigos".

    O recado ficou ainda mais claro ao final do evento, quando o presidente venezuelano afirmou que não poderia falar da situação interna (referindo-se ao Brasil). Mas disse que nos seus dois primeiros anos de governo, muitos dos seus próprios companheiros reclamavam, tinham pressa, queriam radicalizar, e ele sentia que não era o momento. Disse que Lula é um bom companheiro, um homem de bem. "A revolução exige paciência, constância, trabalho e consciência", disse Chávez.

    Vaias e aplausos
    Junto a Chávez, estavam no palco o ministro das Cidades, Olívio Dutra, Cândido Grzybowski, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e integrante do Comitê de Organização Internacional do Fórum, o presidente da CUT, Luiz Marinho, e o diretor do jornal francês Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet. Assim como Chávez, Olívio Dutra foi ovacionado e aplaudido, levando algumas vaias apenas quando citou - e defendeu - o governo Lula. Já Luiz Marinho não teve a mesma recepção. Ao ser anunciado seu nome, foi bastante vaiado, e durante os cerca de cinco minutos em que falou, teve que gritar para ser ouvido em meios às vaias e gritos de "pelego".

    Ramonet também agradou, dizendo que o presidente venezuelano é um novo tipo de líder democrático e revolucionário. O diretor do Ibase saudou a candidatura da Venezuela a sede do Fórum Social Mundial nas Américas em 2006. A próxima edição do evento será realizada em mais de um continente e, em 2007, na África.

    Público
    Inicialmente marcado para 17h, o evento começou, mesmo, pouco antes das 20h. Mas por volta das 18h, a fila de gente para entrar no estádio ainda tinha cerca de cinco quilômetros. Ficaram do lado de fora do Gigantinho 13 mil pessoas, de acordo com a Brigada Militar. Dentro, 12 mil.

    Encerrada a palestra, pouco depois das 22h, o presidente venezuelano iria dirigir-se ao Hotel Sheraton, para um jantar com o governador do Estado, Germano Rigotto.

  • Redação Terra
    1. Participantes do Fórum fizeram manifestação durante a visita de Chávez   Foto: Agência Brasil

      Participantes do Fórum fizeram manifestação durante a visita de Chávez

      Foto: Agência Brasil

    2. Participantes do Fórum fizeram manifestação durante a visita de Hugo Chávez  Foto: Agência Brasil

      Participantes do Fórum fizeram manifestação durante a visita de Hugo Chávez

      Foto: Agência Brasil

    3. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, recebe café de menino de assentamento sem-terra em Tapes, a 100 quilômetros de Porto Alegre, no RS  Foto: AP

      O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, recebe café de menino de assentamento sem-terra em Tapes, a 100 quilômetros de Porto Alegre, no RS

      Foto: AP

    4. Chávez reafirmou guerra ao latifúndio em visita a assentamento em Tapes, no RS  Foto: AP

      Chávez reafirmou guerra ao latifúndio em visita a assentamento em Tapes, no RS

      Foto: AP

    5. Chávez recebeu um lenço palestino de um dos participantes do Fórum Social Mundial durante visita a assentamento em Tapes  Foto: AP

      Chávez recebeu um lenço palestino de um dos participantes do Fórum Social Mundial durante visita a assentamento em Tapes

      Foto: AP

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