Em discurso de 50 minutos durante visita a um assentamento de trabalhadores rurais a 130 Km de Porto Alegre, Chávez fez duras críticas aos Estados Unidos ¿ a quem responsabilizou pela situação de pobreza encontrada hoje na América Latina. "Temos que nos unir, pois essa é a única salvação frente à ameaça imperialista", disse Chávez.
Segundo o presidente venezuelano, sem o combate ao capitalismo não existe solução para a fome e a miséria no mundo. "O capitalismo é a raiz das grandes desigualdades. A mão peluda dos Estados Unidos está atropelando a nossa democracia há 200 anos", criticou. Sempre citando os ícones da integração da América Latina ¿ Simon Bolívar e San Martin ¿ Chávez defendeu o conhecimento como arma para libertação dos latinos.
"O conhecimento é ciência como a água é para o arroz. Sem ele, somos um zero à esquerda. Ser cultos para ser livres, dizia Martin. E Bolívar foi claro nesse conhecimento", afirmou.
Elogios
O presidente venezuelano não economizou elogios ao Fórum Social Mundial e disse que, na sua opinião, é o evento político mais importante do mundo. Chávez defendeu, no entanto, que as idéias discutidas no FSM saiam do papel e sejam colocadas em prática pelos governos, movimentos sociais e organizações não-governamentais.
"Proponho que o Fórum seja o início de uma nova etapa. Nos próximos cinco anos, ele deve vir acompanhado de uma agenda social mundial. A ela, devemos agregar uma estratégia social mundial de poder. Se trata de poder contra poder", enfatizou.
Tirania
Chávez aproveitou o discurso para rebater as acusações de que suas idéias têm como objetivo acabar com a democracia na América Latina.
"Estão equivocados aqueles que enaltecem a idéia de que sou tirano", disse.
Em um recado direto aos trabalhadores rurais e autoridades brasileiras presentes na visita, Chávez cobrou o fim dos latifúndios e defendeu a reforma agrária. "Sou campesino, nasci entre arrozais em uma terra plana como esta. Latifúndio remonta à era federal anterior ao capitalismo", ressaltou.
- Agência Brasil

