De acordo com os signatários, as 12 propostas "permitiriam que a cidadania começasse finalmente a se reapropriar de seu futuro".
No documento, os 19 intelectuais afirmam que se expressaram em caráter estritamente pessoal e que não pretendem, de forma alguma, falar em nome do Fórum. Também enfatizam que a carta está aberta a modificações e a novos signatários.
"Identificamos doze propostas, que em conjunto dão sentido à construção de outro mundo possível. Submetemos estes pontos fundamentais à apreciação dos movimentos sociais de todos os países. São eles que, em todos os níveis, mundial, continental e nacional, poderão levar adiante os combates necessários para que se transformem em realidade. Não temos nenhuma ilusão sobre a real vontade dos governos e das instituições internacionais de que apliquem espontaneamente estas propostas", diz a carta.
Entre as sugestões está a transferência da sede da Organização das Nações Unidas (ONU) de Nova Iorque para um país do Hemisfério Sul e sua reformulação com base na Declaração dos Direitos Humanos, assim como a reestruturação das demais organizações internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Também é proposta a anulação da dívida pública dos países do Hemisfério Sul e o desmantelamento de todas as bases militares estrangeiras que não tenham mandato expresso da ONU.
Ignácio Ramonet disse acreditar que a preocupação de muitas das personalidades que firmaram o manifesto participam ou participaram do evento em algum momento é que sejam recordados os fundamentos do Fórum. "A idéia é de recorrer a um punhado de idéias centrais e básicas que são indiscutivelmente comuns e consensuais à imensa maioria dos participantes do Fórum. É uma espécie de síntese política do que o Fórum está promovendo em escala internacional como transformações de instituições e filosofia política", explicou Ramonet.
Os signatários do manifesto são: Adolfo Pérez Esquivel; Aminata Traoré; Eduardo Galeano; José Saramago; François Houtart; Armand Matellar; Boaventura de Sousa Santos; Roberto Sávio; Ignácio Ramonet; Ricardo Petrella; Bernard Cassen; Samuel Luis Garcia; Tariq Ali; Frei Betto; Emir Sader; Samir Amin; Atílio Borón; Walden Bello e Immanuel Wallerstein.
Agência Brasil