Nos quatro quilômetros em que se estende o território, na região central de Porto Alegre, o contato com o chão, a grama e o sol é constante. Isso não é mais uma exclusividade daqueles que ficam em barracas no Acampamento da Juventude, como nas três edições anteriores, quando os debates se realizavam em espaços fechados e próprios para conferências.
Este ano, tendas ao ar livre substituíram as salas de conferência, como num grande acampamento. Nelas, estão sendo realizadas cerca de 2 mil atividades programadas, com exceção de algumas que ocorrem em armazéns do Cais do Porto, mas o trajeto até eles não livra os participantes da poeira.
"Isto é a cara do Fórum. A gente é assim mesmo, chinelinho de dedo (sandálias tipo havaianas, em gauchês)", afirmou a funcionária pública Sirlei Franciscano, 49 anos, que também participa de movimentos sociais. Para ela, o espaço tem que ter essa identidade.
É inegável a coerência com algumas propostas do FSM. O acesso é livre nas barracas, assim como é livre o trânsito por todo o chamado território, erguido especialmente para abrigar os mais de 100 mil participantes, provenientes de 122 países. A sua construção teve um orçamento de R$ 4,4 milhões e também inclui espaços para o comércio solidário.
Bolhas e poeira
Para correr atrás de todas as atividades oferecidas, aos participantes não restam opções a não ser caminhar. Uma tarefa que se torna ainda mais dura quando é feita sob o sol forte e calor, com temperaturas que não baixam dos 30 graus durante o dia.
"Eu já passei do chinelo para o tênis e agora voltei para o chinelo, porque me enchi de bolhas e por causa do calor", disse a estudante paulista Lara Alcadipani, 19 anos, que fez sua estréia no FSM este ano.
Como está no Acampamento da Juventude, que fica dentro do "território", não se incomoda tanto com as longas caminhadas, porque economiza em transporte. "Já me disseram que antes tinha que pegar ônibus para tudo", afirmou.
Se está quente na rua, dentro das tendas, às vezes pode ficar pior e até insuportável, dependendo da importância do debatedor, que acaba atraindo mais público. Além disso, alguns participantes reclamam que a lona branca usada sobre as estruturas metálicas nas tendas não isola o som.
Apesar do teste quase ininterrupto de paciência ¿pela alta densidade populacional do Território, dificuldade de encontrar as tendas, filas e calor¿, as pessoas reconhecem o valor de tentar nesse espaço "um outro mundo possível", como propõe o slogan do FSM.
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