Agricultores fazem protesto inusitado no Fórum

29 de janeiro de 2005 • 18h49 • atualizado às 18h49
Agricultores protestaram  vestidos como os bichinhos da Parmalat.
Agricultores protestaram vestidos como os bichinhos da Parmalat.
29 de janeiro de 2005
Agência Brasil

Os graciosos mamíferos que simbolizavam a campanha publicitária da Parmalat viraram alvo dos agricultores familiares durante manifestação no 5º Fórum Social Mundial (FSM) em Porto Alegre para o lançamento da campanha contra o abuso corporativo. Em frente a uma fábrica desativada da Parmalat, integrantes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf-Sul) e da ActionAid Brasil protestavam contra o monopólio das multinacionais que dominam o comércio na indústria alimentícia no Brasil.

Segundo o diretor de políticas da ActionAid Brasil, Adriano Campolina, o controle das multinacionais tem contribuído para o aprofundamento da pobreza no Brasil e em outros países. "No nosso país, o controle do setor de leite pela Nestlé e pela Parmalat levou à exclusão de 50 mil agricultores familiares". No total, 70 mil agricultores abandonaram a atividade leiteira por causa das políticas de preços achatados pagos ao produtor.

Campolina explica que o preço pago pelo litro de leite é diferente de acordo com o produtor. "Cada vez mais as multinacionais incentivavam grandes fazendeiros a fornecer leite. O preço pago pelo litro é maior para os grandes produtores e menor para os agricultores familiares."

O coordenador geral da Fetraf-Sul, Altemir Tortelli, lembra que quando a Parmalat veio para o Brasil, há dez anos, passava para a sociedade e para os agricultores a imagem de que os problemas do setor seriam superados. "Prometeram melhorar o preço do leite para o agricultor, gerar empregos e colocar um produto de qualidade a preços melhores para a população urbana. Estamos vendo que, na prática, nenhuma dessas promessas aconteceram", afirma.

O faturamento da Parmalat em 2002 foi superior a US$ 240 milhões, um aumento de mais de 300% em dez anos. Antes da chegada da Parmalat no Brasil eram 12 mil os trabalhadores do setor registrados. Em cinco anos esse número caiu para 7,5 mil e hoje não passa de 3 mil.

Para solucionar esse problema os manifestantes reivindicam outra forma de comercialização de produtos, centrada no cooperativismo das associações da agricultura familiar. Adriano Campolina explica que é possível produzir, beneficiar e distribuir alimentos sem as multinacionais. "O exemplo das cooperativas e associações da agricultura familiar demonstram essa viabilidade."

O produtor de leite de Chapecó (RS), Edgar Cramer, acredita no êxito do movimento que foi articulado pelos agricultores familiares. "Com a organização de cooperativas, a gente consegue comercializar bem mais fácil os nossos produtos. O agricultor só tem a ganhar com isso, porque os produtos serão repassados por um preço melhor e assim vamos poder investir mais nas nossas propriedades."

Agência Brasil
 
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