Banco Mundial e FMI defendem fim da pobreza

29 de janeiro de 2005 • 16h52 • atualizado às 16h52

O Banco Mundial (BM) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) compareceram hoje, pela primeira vez, ao Fórum Social de Porto Alegre. As instituições concordaram com uma "convocação mundial de ação contra a pobreza" lançada nesta semana em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

  • Saiba tudo sobre o Fórum
  • Veja fotos dos protestos

    Porta-vozes destes organismos de desenvolvimento foram convidados para o encontro anual antiglobalização para participar de um debate, no qual ficou claro que às vezes eles abordam os mesmos problemas que atormentam os ativistas sociais. A inquietante miséria, na qual vive um terço da população mundial segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), é um dos maiores problemas que devem ser enfrentados com urgência para tornar realidade a idéia de que outro mundo é possível, concordaram os presentes.

    "O Fundo Monetário Internacional está envolvido e está fazendo algo nesta luta global contra a pobreza", assegurou a responsável de assuntos externos do organismo, Simonetta Nardim. "Mas os países doadores também têm de cumprir sua parte, prometem mas não cumprem", acrescentou.

    Para os organizadores do Fórum, a presença de pelo menos um responsável de relações públicas do FMI já representa uma mudança de atitude e de sensibilidade neste organismo conhecido por sua ortodoxia econômica. Nardim pediu à sociedade civil mais pressões para que os governos de países receptores digam para onde vai o dinheiro das doações. O chamado mundial para uma ação contra a pobreza é apoiado por centenas de ONGs do mundo inteiro, sindicatos, governos, a ONU e o próprio FMI e o Banco Mundial.

    O subsecretário da ONU para assuntos sociais e econômicos, José Antonio Ocampo, assinalou que espera que este ano os chefes de Estado renovem este compromisso, com as chamadas Metas do Milênio de erradicação da pobreza formuladas em 2000 em uma cúpula histórica em Nova York. A meta deste ano é transformar isto em objetivo comum e em elemento unificador internacional, com ações concretas quanto aos problemas da dívida externa, do injusto comércio internacional e da maior participação dos países em desenvolvimento em organismos internacionais.

    Ocampo pediu aos países ricos que cumpram sua parte e aumentem a quantidade e qualidade de sua assistência social ao desenvolvimento. O representante do Banco Mundial, John Garrison, marcou a estréia do organismo com números que ilustram a gravidade de problemas que para muitos céticos não têm solução da maneira como estão sendo abordados. Os críticos disseram que a atual estratégia dos organismos mundiais só ataca os sintomas do problema, e não suas causas.

    No mundo, um bilhão de pessoas sobrevivem com menos de um dólar por dia, e 2,7 bilhões com o equivalente a dois dólares, explicou Garrison. Enquanto são gastos anualmente 800 bilhões de dólares em armas e apenas no Iraque estão sendo utilizados 300 bilhões, "não é dada prioridade à luta contra a pobreza", assinalou. Os países ricos gastam 350 bilhões de dólares em subsídios agrícolas, número equivalente a sete vezes o doado a países pobres nos programas de assistência internacional.

    O Banco Mundial defende o perdão da dívida, um comércio justo e uma eficiente cooperação, disse Garrison, pedindo que fosse revisto o papel de organismos como o FMI e o BM, que "representam as injustiças das relações entre o norte e o sul". Quanto à dívida, não basta acabar com ela, tem de ser controlado como vai ser gasto o dinheiro que os países beneficiários deixam de pagar por ela, advertiu.

    Garrison assinalou que "dificilmente o mundo vai conseguir reduzir a pobreza à metade". Em termos globais, até é possível que apareçam alguns resultados nas Metas do Milênio porque países como China e Índia mostram avanços individuais, mas no resto da Ásia e na América Latina o problema continua crescendo.

  • EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.
     
    Enviar para amigos
    Fechar por:
    Enviar para amigos
    Fechar por:

    Imprimir

    Fechar
    Mais vistos

    Notícias

    1. Carregando...
    leia mais notícias »