Índios protestam contra o governo em manifesto

29 de janeiro de 2005 • 23h20 • atualizado às 23h20

Nações indígenas representadas pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), pelo Conselho Indígena de Roraima e pela Associação dos Povos Indígenas do Nordeste e Minas Gerais (Apoinme) apresentaram à imprensa hoje um manifesto contra o governo brasileiro no Fórum Social Mundial (FSM), em Porto Alegre.

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    O documento, distribuído em uma coletiva de imprensa na Usina do Gasômetro - onde está montada toda a estrutura para jornalistas credenciados - afirma que os indígenas estão "cansados de enviar documentos e bater nas portas dos gabinetes governamentais sem que haja respostas para a solução dos graves problemas" por eles enfrentados.

    Segundo o texto, apenas onze terras indígenas teriam tido seus limites declarados nos últimos dois anos. "Uma média pior ainda do que o governo Fernando Henrique, que foi medíocre", diz o antropólogo do Ministério Público Federal Marco Paulo Fróes Schettino.

    De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), de um total de 841 terras indígenas conhecidas, apenas 311 foram registradas (36,98%) até hoje. O registro é o último estágio do processo para regularizar definitivamente uma área indígena e, antes, ela deve ser reservada, ficar em processo de identificação, ser identificada, declarada e homologada para, finalmente, ser registrada. Apenas 58 áreas estão homologadas atualmente.

    Anastácio Peralta, liderança indígena Guarani-Kaiowá, que esteve no lançamento do manifesto, disse que "um povo não se mata apenas à bala: você tira sua terra, sua religião, sua cultura e sua identidade. Esse é o genocídio que acontece hoje".

  • Agência Brasil
     
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