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 Bovespa sem direção faz crescer arbitragem entre ações; entenda
24 de julho de 2010 07h00

Com o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) sem uma direção definida há algumas semanas, cresce o volume de operações de arbitragem de ações, ou as chamadas estratégias long/short, que consistem em compra e venda casada levando em consideração a diferença média de preços entre dois papéis. Por exemplo, se a diferença média de preços de duas ações é de R$ 4, no momento em que esse valor aumenta, o investidor tem a indicação de que essa ação está sobrevalorizada e se abre uma oportunidade para vender o papel que subiu e comprar aquele que perdeu valor para lucrar quando o preço se ajustar mais próximo da média.

Embora pareça fácil, essa operação não é aconselhável para iniciantes, já que exige conhecimento estatístico do mercado e movimentação em curto prazo. Segundo Frederico Soares, chefe da mesa de operações da corretora do HSBC, esse tipo de investimento é fomentado pelas corretoras, mas apenas para clientes familiarizados com os termos sofisticados, que podem incluir o aluguel de ações.

"No ano passado não víamos muito sentido em fazer essas operações, porque a bolsa tinha uma direção definida e você acaba capturando menos a valorização do índice com elas. Fizemos pouquíssimas, diferente deste ano. Apesar de o volume de corretagem ter caído, temos entre 50% e 60% das operações de mesa sendo de long/short. Em média, o ganho líquido, tirando corretagem e aluguel das ações, tem sido de 3% a 4% entre 15 e 45 dias", afirma Soares.

De acordo com Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da corretora Souza Barros, a arbitragem começou a ser feita com papéis preferenciais (PN) e ordinários (ON) da mesma empresa, desse modo a oscilação do mercado afetaria igualmente as duas ações, neutralizando uma queda ou alta geral. No entanto, atualmente os investidores já pegam ações de duas empresas e até de setores diferentes.

Para Marcelo Coutinho, da YouTrade Invest, é uma boa opção para quando o mercado "anda de lado", sem uma direção de alta ou baixa definida, como ocorre nos dias atuais. Também é interessante para quem não quer colocar muito dinheiro no momento, porque aproveita o dinheiro da venda das ações sobrevalorizadas para a compra de outras subvalorizadas. "Essas diferenças aparecem com mais frequência no mercado volátil como está. É interessante porque você não tem que injetar dinheiro para aumentar a participação no mercado", afirma.

Segundo ele, o risco é menor quando a operação long/short é feita com ações da mesma empresa (ON e PN), já que elas têm uma tendência natural de voltar ao padrão. As chances de prejuízo aumentam com papéis de companhias diferentes, mas do mesmo setor, e se multiplicam com ativos de setores diferentes.

A estratégia long/short pode ser feita mesmo sem possuir o ativo que será vendido, por meio do aluguel de ações. O investidor aluga uma ação que acredita que vai cair, vende e compra outras com potencial de alta. "Você pode vender algo que não tem, mas daqui a três dias vai ter que entregar o papel. Quando comprar o papel de volta, devolve o aluguel", afirma Coutinho. Contudo, o aluguel das ações pode chegar a 15% ao ano sobre valor do papel e inviabilizar os ganhos.

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