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Cláudio Lins diz que José Armando não agrada

26 de dezembro de 2004 11h08

Cláudio Lins: o José Armando não me encheu os olhos. Foto: Luiza Dantas/TV Press

Cláudio Lins: "o José Armando não me encheu os olhos"
Foto: Luiza Dantas/TV Press

Cláudio Lins é de uma franqueza desconcertante. Aos 31 anos, o intérprete do bom-moço José Armando, de Esmeralda, não é dado a evasivas ou subterfúgios. Muito pelo contrário. Gosta de falar o que pensa.

Leia o resumo de Esmeralda

Sobre o atual trabalho, por exemplo, ele agradece o convite do SBT para protagonizar a novela, mas não hesita em tecer críticas à emissora de Sílvio Santos. Principalmente no que diz respeito à qualidade do texto mexicano e ao ritmo intenso de gravações.

"Quando surgem convites para novela, não costumo recusá-los. Mas, artisticamente falando, o José Armando não me encheu os olhos", confessa.

Cláudio Lins estréia no SBT depois de passar por Globo, Band e Record. Logo no primeiro dia na nova emissora, ele assistiu ao primeiro capítulo da versão original de Esmeralda, um típico dramalhão da Televisa que narra as agruras de uma heroína cega.

O ator, porém, não gostou do que viu. "Foi instrutivo para mostrar o que não devemos fazer", desdenha. Como geralmente acontece no SBT, dois autores nacionais, Henrique Zambelli e Rogério Garcia, foram incumbidos de adaptar a trama de Délia Fialho à realidade brasileira. "Não notei qualquer diferença. O texto dificulta e muito o nosso trabalho", salienta, referindo-se ao tom melodramático dos diálogos.

Na trama, Cláudio Lins interpreta José Armando, o rapaz boa-praça que cai de amores pela personagem-título, vivida por Bianca Castanho. Nem o fato de dar vida ao protagonista parece servir de consolo para o rapaz. "Fazer ou não o protagonista, para mim, é irrelevante. Há sempre outros personagens tão ou mais interessantes que o protagonista", ressalva ele, que já encabeçou também os elencos de Perdidos de Amor, da Band, em 1996, e Terra Mãe, da RTP, de Portugal, em 1998.

Mais do que interpretar o herói da história, Cláudio Lins quer tempo para burilar o personagem e, principalmente, para levar uma vida normal. "Tenho gravado muito. Além do normal. Já perdi a conta do número de cenas que fiz num só dia", jura.

De fato, o ritmo intenso de gravações já virou motivo de brincadeira entre o elenco. Outro dia, alguns atores brincaram entre si na hora do almoço: "E aí, quantas cenas você grava hoje?", perguntou um. "Ah, hoje, eu só gravo 20...", ironizou outro.

O ritmo puxado se deve à metodologia adotada pelo SBT. Por ser adaptação de um texto já escrito, a emissora de Sílvio Santos concentra as gravações de cento e tantos capítulos no curto intervalo de três a quatro meses. Por conta disso, o número de cenas pode chegar a 35 ou 40 por dia. "Já me perguntaram o maior cuidado que tive para compor o José Armando. Costumo dizer que é decorar as falas dele", brinca.

Por conta das gravações de Esmeralda, Cláudio Lins teve de abrir mão de sua carreira de cantor e compositor. "No início, até cumpri os shows que estavam agendados. Mas, depois, não deu mesmo...", lamenta.

Outro dia, por sorte, Cláudio Lins até teve tempo de compor duas novas músicas ao violão. Como? "Um forte temporal obrigou o SBT a cancelar as gravações...", explica ele. Apesar do corre-corre, Cláudio gosta quando tem de gravar cenas no interior de São Paulo, em locações como Bragança Paulista e Jundiaí. "Gosto muito de andar a cavalo. Não sou nenhum jóquei, mas dá para o gasto", explica.

Mas Cláudio Lins não tem só reclamações a fazer. Ele também elogia os colegas de trabalho. Principalmente Bianca Castanho e Lucinha Lins. Embora nunca tenha contracenado com a primeira, garante que os dois se entendem muito bem em cena. "O único problema é que ela não olha para mim", graceja, numa alusão ao fato de a atriz interpretar uma cega.

Já Lucinha Lins, sua mãe, é uma velha colega de trabalho. Os dois já contracenaram na tevê, em novelas como Tiro e Queda, da Record, e no teatro, na recente montagem de Ópera do Malandro, de Chico Buarque de Hollanda. "Bater bola com uma atriz como a Lucinha Lins é sempre um privilégio", observa, resvalando, pela primeira vez, num lugar-comum.

Talento versátil
Aos 31 anos de idade, Cláudio Lins já contabiliza 20 só de carreira. A estréia aconteceu aos 11 anos, quando ele estrelou o musical Sapatinho de Cristal, dirigido pelo padrasto, o ator, diretor e bailarino Cláudio Tovar. Já no ano seguinte, Cláudio voltou a atuar em outro espetáculo, Verde Que Te Quero Ver, e nunca mais parou.

Desde cedo, o filho do cantor Ivan Lins e da atriz Lucinha Lins demonstrou vocação para as artes. Quando pequeno, compunha canções para os seus super-heróis favoritos e não cansava de entoar as músicas do pai. "Gosto tanto de cantar quanto de representar. São duas artes paralelas que se completam", analisa.

Na tevê, Cláudio estreou em 1996, quando fez História de Amor, de Manoel Carlos. Até hoje, garante, o público faz menção ao Bruno Moretti nas ruas. "Não só o personagem, mas a novela toda fez um grande sucesso", justifica.

Depois da Globo, Cláudio passou ainda pela Band e Record, onde fez, respectivamente, Perdidos de Amor e Tiro e Queda, em 1996 e 99. Nesse meio tempo, viajou para Portugal, onde gravou Terra Mãe para a RTP. Para a Globo, voltou em 99, onde atuou na minissérie Chiquinha Gonzaga e na novela Sabor da Paixão. "Tenho portas abertas em vários lugares", frisa.

Entre uma novela e outra, Cláudio Lins desempenhou também o papel de apresentador do programa A Vida é Um Show, da Rede Brasil. Por dois anos, entrevistou grandes nomes da Música Popular Brasileira, como Caetano Veloso, Leny Andrade e Ivan Lins. "Na entrevista com meu pai, quase não precisei ler o roteiro. Por que será?", brinca.

Se pudesse, Cláudio Lins estaria dando expediente na Rede Brasil até hoje. Quando aceitou o convite para fazer Sabor da Paixão, porém, ele teve de escolher entre as duas emissoras. "No início, até tentei conciliar, mas o jurídico da Globo não deixou", queixa-se.

Instantâneas
# Carioca da gema, Cláudio Lins está morando atualmente na capital paulista. Mas fixar residência em outra cidade não chega a ser um suplício para ele. Na adolescência, o ator já morou com a família em São Paulo.
# Até os 18 anos, Cláudio Lins dedicou-se ao estudo do piano e de teoria musical. Depois disso, ingressou no Tablado, de Maria Clara Machado, no Rio de Janeiro, onde estudou por dois anos.
# De tudo que deixou de fazer por conta de Esmeralda, Cláudio lamenta ter parado de malhar. Embora não tenha paciência para freqüentar academia, admite que seu corpo se ressente da falta de exercícios físicos.
# Em 99, Cláudio lançou seu primeiro CD, Um, pela Gravadora Velas, de propriedade de seu pai em parceria com o letrista Vitor Martins, autor de Um Novo Tempo e Começar de Novo.

TV Press