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"Só atraio homens complicados", diz Gisele Itiê

15 de setembro de 2004 08h02 atualizado às 08h02

Giselle Itié vira a cabeça do cinqüentão Andrei Ivanovitch na novela  Começar de Novo. Foto: Luiza Dantas/TV Press

Giselle Itié vira a cabeça do cinqüentão Andrei Ivanovitch na novela Começar de Novo
Foto: Luiza Dantas/TV Press

A atriz Giselle Itié não consegue disfarçar a alegria ao falar de sua mais nova personagem na tevê, a aspirante a atriz Júlia Moreno, de Começar de Novo. Também pudera. Aos 22 anos, a bela mexicana de olhar penetrante e lábios carnudos tem mesmo motivos de sobra para estar feliz. Com pouco mais de três anos de carreira, já protagoniza a sua primeira novela na Globo.

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Leia o resumo de Começar de Novo

Apesar de ter atuado nas mal-sucedidas Os Maias e Esperança, ela conseguiu se sobressair em papéis de forte apelo sensual, como Lola e Eulália.

A Júlia, de Começar de Novo, não foge à regra. Tanto que vira a cabeça do cinqüentão Andrei Ivanovitch, interpretado por Marcos Paulo. "Só não sei ainda como as donas-de-casa vão reagir a esse romance. Muitas devem pensar: 'Ah, essa pirralha não vai roubar o Marcos Paulo da Natália do Valle!'", brinca ela.

Tão surpreendente quanto ser chamada para protagonizar uma novela na Globo só mesmo voltar à distante Rússia em tão pouco tempo. Ela já havia estado lá no início do ano, quando fez um curso de interpretação baseado no método de Konstantin Stanislavski, famoso diretor de teatro russo falecido em 1938. "Como não sabia uma só palavra em russo, me virei na base da mímica", brinca.

Quando voltou lá para gravar a novela, já se sentia uma ¿czarina¿. Ainda mais quando foi abordada em plena Praça Vermelha por um grupo de russas que a reconheceram de Esperança. "Quase caí para trás quando começaram a gritar o nome da Eulália", ri.

De volta ao Brasil, a sempre bem-humorada Giselle Itié só não achou muita graça quando soube que boatos insinuavam que ela estaria tendo um caso com o ator Marcos Paulo. "Antes de ir para a Rússia, já disseram que eu estava namorando o Erik Marmo. Se antes de a novela começar já namorei dois, imagine quando ela acabar?", ironiza.

Na verdade, Giselle garante estar tão focada no atual trabalho que não consegue pensar em outra coisa da vida. Isso sem falar que o pai da moça, Seu Fernando, é tão ciumento que, até hoje, ainda não conseguiu assistir a uma única cena de beijo da filha. "Em Esperança, ele saía da sala quando Oscar Magrini colocar a mão na minha perna", entrega, aos risos. Leia a seguir a entrevista com a atriz:

P - Você esperava ser chamada para protagonizar uma novela da Globo com tão pouco tempo de carreira?
Sinceramente, não. Na verdade, eu nunca tinha sequer parado para pensar nisso. Sempre acreditei muito que cada personagem tivesse o seu por que na história. Se o autor escreveu, se o personagem está na novela, é porque ele tem a sua importância. Por isso, todos os atores deveriam dar muito valor aos seus personagens, mesmo que eles não passem de uma simples participação. Pessoalmente, costumo sempre me doar 100% para meus personagens. Recentemente, fiz participação em Carga Pesada e Kubanacan... Mas essa novela não conta porque todos os atores da Globo fizeram... (risos) Mas, no caso específico da Júlia, eu me sinto uma privilegiada. Todas as atrizes do mundo adorariam fazê-la...

P - E por que você acredita nisso?
Porque a Júlia é uma personagem que oferece mil possibilidades para qualquer ator. Com ela, você pode brincar à vontade, entende? A Júlia é muito leve, dada, espontânea, emocional... Ela é muito raio de luz! Também já tive a minha fase Júlia. Até os 15 anos, eu acreditava muito nas pessoas. Era muito aberta, franca... Mas aí, comecei a perceber que não podia ser assim. De tanto tapa na cara que levei, aprendi que tenho de confiar desconfiando, sabe? Talvez por isso eu tenha me transformado na pessoa mais desconfiada do mundo. Hoje em dia, eu sou a "armadura" em pessoa!

P - Ano passado, você esteve na Rússia para estudar teatro. Esperava voltar ao país tão cedo por conta das gravações da novela?
Não mesmo. Gravar a novela na Rússia foi tão surpreendente quanto ser chamada para protagonizar a novela. Rússia não é que nem os Estados Unidos. Ninguém viaja para a Rússia, não é mesmo?

P - Mas você viajou. Por quê?
Porque um amigo meu disse que as escolas de teatro russas são maravilhosas. Como eu queria estudar mais a fundo o método Stanislavski de interpretação, resolvi arriscar. Com a cara e a coragem...

P - E como você fez para se virar por lá? Sabia falar russo?
Que nada... Na rua, era tudo na base da mímica mesmo. Sério! Na escola, eu tinha alguns livros traduzidos para o inglês. Para falar a verdade, foi tudo muito rápido. Depois que conversei com esse meu amigo, decidi viajar em quatro dias. Para piorar as coisas, ainda recebi um convite da Edmara Barbosa, filha do Benedito, me convidando para fazer Cabocla: "Ai, Meu Deus, o que eu faço agora?". Não podia desperdiçar aquela oportunidade... Quando falei que ia para a Rússia, ela não acreditou muito. Na verdade, ninguém levava fé que eu fosse.

P - E como foi voltar à Rússia para gravar os primeiros capítulos de Começar de Novo?
Ah, foi ótimo. Fui como plebéia e voltei como czarina, né? Da segunda vez, eu tinha a equipe de produção da novela para tomar conta de mim. Da segunda vez, servi até de guia turística para o Erik Marmo e o Marcos Paulo... (risos). Já conhecia os melhores teatros, os melhores restaurantes...

P - É verdade que você foi reconhecida na Rússia por causa de Esperança?
É verdade, sim! Que coisa louca, né? Eu estava saindo do teatro quando fui rodeada por umas crianças que começaram a gritar: "Eulália! Eulália!". Eu nem acreditei. "Meu Deus, será possível?" Foi hilário! Imagina, você estar num país onde não sabe nem pedir um copo d'água e as pessoas pedindo um rabisco seu num pedaço de papel... Uns pediram autógrafo, outros tiraram fotos. Imagina, eu dando autógrafos na Rússia... Demorou para a ficha cair. Da segunda vez, pediram autógrafo também para o Erik Marmo. Afinal, Mulheres Apaixonadas faz o maior sucesso por lá...

P - Seus pais nunca aprovaram a sua decisão de ser atriz. Como eles estão reagindo agora?
Olha, finalmente, meus pais perceberam que sou feliz assim e resolveram me apoiar. Só de ver a minha cara de felicidade ao ser convidada para fazer a Júlia, meu pai viu que não adiantava torcer contra. Eu não saberia fazer outra coisa da vida... Eles demoraram a perceber isso.

P - Até pouco tempo, seu pai se recusava a ver as suas cenas de beijo. Ele continua pensando assim?
Você nem imagina o quanto... Meus pais têm uma empresa de "clipping" eletrônico, sabe? Na época de Os Maias, eu pedi que eles fizessem um "clipping" meu. Você acredita que tem uma cena de amor entre a Lola e o Carlos da Maia que o meu pai simplesmente não "clipou"? E olha que era uma cena em que eu aparecia mais vestida do que estou agora. Juro! Estava com uma meia-calça que não mostrava absolutamente nada! E, mesmo assim, meu pai implicou. E em Esperança? Era só o Magrini colocar a mão na minha perna que meu pai já saía da sala. (risos)

P - Antes de fazer Esperança, você ainda passou pelo SBT, onde atuou em Pícara Sonhadora. Como foi essa experiência?
Ah, foi ótima! Eu amei fazer Pícara Sonhadora porque a personagem, Bárbara, trabalhou um outro lado meu. Ela era uma mulher completamente obcecada por um cara, que atropelava umas pessoas, queimava outras... "Você me paga, Alfredo!", ela costumava gritar. Era uma típica vilã mexicana, diga-se de passagem. Na época, eu estava ruiva, branca que nem cera, de unhas compridas... Simplesmente irreconhecível...

P - Você veio para o Brasil com quatro anos. Sonha em, um dia, voltar a morar no México ou, quem sabe, trabalhar na Televisa?
Olha, trabalhar na Televisa, eu não sei, mas fazer cinema no México eu penso sim. Na verdade, eu quero muito fazer cinema. Pode ser no México, pode ser no Brasil. Infelizmente, ainda não rolou nenhum convite. Acho que ainda não enviei meu currículo para os lugares certos. Mas tenho muita vontade de fazer cinema. E o cinema mexicano, vamos combinar, está arrebentando. Você não imagina o quanto fiquei orgulhosa ao ver o ator mexicano Gael García Bernal trabalhando com o Walter Salles em Diários de Motocicleta. Eu fico até emocionada. Parece até que estou falando de um irmão meu ou coisa parecida.

P - Por que, nas novelas da Televisa, temos a impressão de que as mulheres já acordam maquiadas?
Porque muitas já acordam maquiadas mesmo! (risos) Eu tinha uma amiga no México que acordava uma hora antes de ir para o colégio só para se produzir toda. Sempre fui a mais despojada da turma, mas tive amigas, sim, que se preocupavam muito em arrumar o cabelo e fazer a maquiagem logo pela manhã.

P - Na última Copa América, o Brasil goleou o México por quatro a zero. Na ocasião, por quem você torceu?
Puxa vida, nem me fale disso... Até hoje, meu irmão não fala direito comigo. Tive uma briga feia com ele que você não faz idéia. E olha que ele é brasileiro. Mas eu torci para o México, sim. Mesmo porque eu já sabia que o Brasil ia ganhar... (risos).

Temperatura máxima
As mais remotas lembranças que Giselle Itié guarda de sua infância no México não são nada boas. Ela tinha apenas quatro anos quando um terremoto obrigou sua família a fugir às pressas do país.

"Só lembro da babá me puxando para o elevador e gritando muito", recorda. Depois de perderem tudo o que tinham, os pais de Giselle, Fernando e Sandra, resolveram tentar a sorte no Brasil. Foi justamente aqui, em terras brasileiras, que Giselle arriscou os primeiros passos como atriz. Por sugestão de uma amiga da agência Elite, fez testes para a Globo. "Cheguei a fazer algumas fotos, mas confesso que meio sem vontade. Sempre quis ser atriz, não tem jeito", confessa.

A estréia na tevê aconteceu em Os Maias, de Maria Adelaide do Amaral. Na minissérie, ela interpretou a meretriz Lola, que protagonizava cenas 'calientes" com Carlos da Maia, de Fábio Assunção. "Numa das minhas primeiras cenas, estava tão nervosa que ele pediu para todos saírem do estúdio", relembra.

Apesar de modesto, o papel de cortesã espanhola chamou a atenção do SBT, que a convidou para enfeitar o elenco de Pícara Sonhadora. Na trama, ela incorporava a megera Bárbara, que infernizava a vida da personagem-título de Bianca Rinaldi. "As loucuras da personagem me ajudaram a conhecer melhor o meu lado selvagem", divaga ela.

Pouco tempo depois, um telefonema do diretor Luiz Fernando Carvalho - com quem havia trabalhado em Os Maias - trazia Giselle Itié de volta à Globo. Em Esperança, de Benedito Ruy Barbosa, ela enlouquecia meio elenco como a fogosa espanholinha Eulália.

Por conta do sucesso da personagem, a atriz logo atraiu a cobiça da revista VIP. Neste ensaio, a bela morena posou em uma pedreira em plena Rodovia dos Tamoios, a 180 km de São Paulo. Apesar de já ter sido modelo da Elite, Giselle confessa uma certa timidez quando posa para fotos. "Ainda sinto vergonha. Mas, aos poucos, vou me liberando", promete, encabulada.

Talento inato
Os pais de Giselle Itié sempre torceram o nariz para a decisão da filha de ser atriz. "Quando era pequena, já fazia palhaçada para os outros rirem ou fingia estar triste para se preocuparem comigo", lembra.

Foi só completar 18 anos para Giselle avisar à família que gostaria de voltar ao México para aprimorar o espanhol. Na verdade, ela queria mesmo era fazer um curso na Televisa, uma das principais redes de tevê do país.

Para não levantar suspeitas, dizia que precisava do dinheiro para pagar a academia de ginástica. Durante quase um ano, morou de favor na casa de parentes. "Foi aí que resolvi ser realmente atriz. Mas, além da resistência da família, ainda tive um noivo que era contra", queixa-se.

Pior para ele... Afinal, Giselle está cada vez mais decidida a se firmar na profissão. "Só atraio homens complicados. Mas já decidi que não quero mais me envolver com homens machistas", avisa, resoluta. Ano passado, Giselle estreou no teatro, com texto de Juca de Oliveira e sob a direção de Bibi Ferreira, no papel principal da peça Babá.

No entanto, ela teve de deixar o espetáculo para se dedicar às gravações de Começar de Novo. Inquieta, já pensa em viajar, ano que vem, para Cuba, onde deseja estudar Cinema. Com tantos projetos, quase não sobra tempo para Giselle pensar em vida pessoal. "Depois de trabalhar muito, pretendo casar e ter uns quatro filhos. Mas vai demorar ainda", pondera.

Enquanto não constitui família, Giselle faz o que pode para conviver com o ciúme paterno. Quando Seu Fernando foi assistir à peça Babá, Dona Sandra escolheu uma poltrona que ficava escondida por uma pilastra do teatro. Tudo porque Giselle protagonizava uma cena amorosa na penumbra do palco. "Na verdade, a tal cena não mostrava nada. Mas meu pai não pode ver nem o pezinho da filha que já fica bravo", entrega.

Trajetória televisiva
# Os Maias, de Maria Adelaide Amaral (Globo, 2001) - Lola.
# Pícara Sonhadora, adaptada por Ecila Pedroso (SBT, 2002) - Bárbara.
# Esperança, de Benedito Ruy Barbosa (Globo, 2003) - Eulália.
# Começar de Novo, de Antonio Calmon e Elizabeth Jhin (Globo, 2004) - Júlia Moreno.

TV Press
  1. Giselle Itié vira a cabeça do cinqüentão Andrei Ivanovitch na novela Começar de Novo  Foto: Luiza Dantas/TV Press

    Giselle Itié vira a cabeça do cinqüentão Andrei Ivanovitch na novela Começar de Novo

    Foto: Luiza Dantas/TV Press

  2. Giselle Itié é a estrela da novela Começar de Novo  Foto: Cláudio Andrade/Especial para Terra

    Giselle Itié é a estrela da novela Começar de Novo

    Foto: Cláudio Andrade/Especial para Terra

  3. Durante uma passagem por Moscou, Giselle Itié distribuiu autógrafos para os fãs russos   Foto: Globo/Divulgação

    Durante uma passagem por Moscou, Giselle Itié distribuiu autógrafos para os fãs russos

    Foto: Globo/Divulgação

  4. Giselle Itié viveu a personagem Lola em Os Maias, de Maria Adelaide Amaral  Foto: Globo/Divulgação

    Giselle Itié viveu a personagem Lola em Os Maias, de Maria Adelaide Amaral

    Foto: Globo/Divulgação

  5. Giselle Itié em cena de Esperança, de Benedito Ruy Barbosa  Foto: Globo/Divulgação

    Giselle Itié em cena de Esperança, de Benedito Ruy Barbosa

    Foto: Globo/Divulgação

  6. Giselle Itié com Marcos Pasquim em cena da novela Kubanacan  Foto: Globo/Divulgação

    Giselle Itié com Marcos Pasquim em cena da novela Kubanacan

    Foto: Globo/Divulgação

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