Guilherme Mergen
Passageira de um vôo que partiu de São Paulo para Paris 15 minutos após a decolagem no Rio de Janeiro do Airbus A330 da Air France, que desapareceu dos radares às 3h desta segunda-feira, a produtora de festas Elaine Santos disse que a viagem de 12 horas foi marcada por turbulência. Em pelo menos três momentos, a companhia alertou aos passageiros para manter o assento na vertical, não levantar e apertar o cinto de segurança. "Foram três ou quatro situações de muita turbulência, por cerca de 10 minutos, com alerta geral no vôo".
A produtora de festas contou que desembarcou na França às 12h (horário local) e foi informada por um amigo, ainda no aeroporto, sobre o desparecimento do outro vôo que partiu do Brasil. "Não havia nada de anormal quando cheguei. Mas, logo um amigo me disse que tinha uma péssima notícia. Pensei que fosse algo com meus pais, em São Paulo. Estou chocada com o acidente, afinal, a companhia era a mesma (Air France) e o vôo chegava 15 minutos antes do meu", afirmou ao Terra.
Ao ser informada sobre o desaparecimento da outra aeronave, Elaine entrou em contato imediatamente com seus pais. "Logo pensei que alguém poderia ligar e deixá-los apreensivos, o que aconteceu. Meus pais estavam quase em choque, porque sabiam que era a mesma companhia e com praticamente o mesmo horário. Quando ouviram minha voz, ficaram aliviados".
A brasileira, conhecida entre os produtores de festa em São Paulo como Lalai, viajou à França para passar o aniversário com o namorado, que mora em Paris. Ela ainda não marcou a data do retorno. "Não sei se estou com medo da volta. Na verdade, estou sentindo uma sensação bem estranha. Não sei como explicar", disse.
Publicações no Twitter
Neste domingo, antes de embarcar, a brasileira brincou na rede de comunicação na internet Twitter que morreria durante o vôo. "Indo para o aeroporto em uma baita ressaca. Vou morrer no avião hoje", escreveu por volta das 17h deste domingo. Na sala de embarque, ela publicou outra nota. "Agora estou contando os minutos para rever dois grandes amigos e, claro, meu namorado. Paris é uma das minhas cidades favoritas", disse.
Dentro da aeronave, antes de decolar, ela escreveu as últimas palavras antes de chegar à capital francesa. "Azar: vou sentada na poltrona do meio", reclamou. Ao desembarcar no aeroporto e ser informada sobre o outro vôo, já na manhã desta segunda-feira, a produtora de eventos voltou a publicar textos em seu Twitter. Dessa vez, lamentou o ocorrido e recordou que havia postado que morreria. "Tão surreal o fato que eu nem lembrava que tinha brincado que morreria no avião. Confesso que estou aqui arrasada", disse.
O acidente
O Airbus A330 saiu do Rio de Janeiro no domingo (31), às 19h (horário de Brasília), e deveria chegar ao aeroporto Roissy - Charles de Gaulle de Paris no dia 1º às 11h10 locais (6h10 de Brasília).
De acordo com nota divulgada pela FAB, às 22h33 (horário de Brasília) o vôo fez o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III). O comandante informou que, às 23h20, ingressaria no espaço aéreo de Dakar, no Senegal.
Às 22h48 (horário de Brasília) a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta, segundo a FAB. Antes disso, no entanto, a aeronave voava normalmente a 35 mil pés (11 km) de altitude.
A Air France informou que o Airbus entrou em uma zona de tempestade às 2h GMT (23h de Brasília) e enviou uma mensagem automática de falha no circuito elétrico às 2h14 GMT (23h14 de Brasília). A equipe de resgate da FAB foi acionada às 2h30 (horário de Brasília).
Redação Terra