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Rosto vermelho após beber sinaliza risco de câncer

26 de março de 2009 15h46 atualizado às 15h51

As pessoas cujos rostos ficam vermelhos quando elas bebem álcool podem estar em risco de mais do que um simples embaraço. O rubor pode indicar risco ampliado de um câncer de garganta mortífero, disseram pesquisadores.

A resposta de enrubescimento, que pode ser acompanhada por náusea e uma aceleração no batimento cardíaco, é causada principalmente por uma doença hereditária em uma enzima conhecida como ALDH2, traço compartilhado por mais de um terço das pessoas cujas origens ficam no leste da Ásia- japoneses, chineses e coreanos. Basta meia garrafa de cerveja para deflagrar a reação, em alguns casos.

A deficiência resulta de problemas na metabolização do álcool, o que resulta em acúmulo de uma toxina chamada acetaldeído. Pessoas com duas cópias do gene responsável por esse fator sofrem de sensações tão desagradáveis ao beber que são incapazes de consumir grandes volumes de álcool. A aversão na prática serve para protegê-las de um risco ampliado de câncer.

Mas as pessoas com apenas uma cópia podem desenvolver tolerância ao acetaldeído e se tornar beberrões. "O que estamos tentando com isso é conscientizar os médicos e os pacientes que sofram de deficiência de ALDH2 quanto aos riscos", disse Philip Brooks, pesquisador do Instituto Nacional de Abuso do Álcool e Alcoolismo dos Estados Unidos e autor do estudo publicado na segunda-feira pela revista PLoS Medicine. "O risco é bastante sério".

O câncer em questão, uma variedade de câncer do esôfago, também pode ser causado pelo fumo e é passível de cirurgia, mas os índices de sobrevivência são baixos. Beber moderadamente já basta para elevar o risco, mas o consumo pesado de álcool traz elevação considerável do fator. Uma pessoa com deficiência de ALDH2 que beba duas cervejas por dia tem risco seis a 10 vezes maior de desenvolver câncer de esôfago, comparada a uma pessoa que não apresente deficiências quanto a essa enzima.

Reduzir o consumo de álcool pode reduzir significativamente a incidência desse câncer entre adultos asiáticos. Os pesquisadores calculam que se os homens japoneses que sofrem de deficiência de ALDH2 reduzissem seu consumo semanal de álcool a menos de nove doses, 53% dos casos de câncer de esôfago nesse grupo poderiam ser prevenidos.

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
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