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Quinta, 22 de maio de 2008, 15h35

Papa diz que progresso sem discernimento leva homem ao abismo

Bento XVI oficiou hoje na basílica romana de São João de Latrão a missa da festividade do Corpus Christi, na qual disse que a "revolução cristã" é "a mais profunda" da história humana e que o progresso sem discernimento "leva o homem ao abismo".

O papa, em uma homilia na qual perante milhares de fiéis explicou o significado desta solenidade, afirmou que a Eucaristia é o sacramento de Deus que não abandona o homem no caminho, mas fica a seu lado e lhe indica a direção.

"Não basta ir em frente, é necessário ver para onde se vai. Não basta o progresso se não existem pontos de referência. Se se corre fora da estrada, pode-se cair em um precipício ou afastar-se mais rapidamente da meta. Deus nos criou livres, mas não nos deixou sós", afirmou.

O pontífice acrescentou que Deus acompanha sempre o homem "para que nossa liberdade tenha critério para discernir o caminho justo e percorrê-lo".

O papa ressaltou que isso se realiza em três períodos: a primeira, a missa, a reunião de todos os fiéis ao redor do Altar; a segunda, a procissão do Santíssimo, ou seja, caminhar com Deus, e a terceira, ajoelhar-se perante o Santíssimo, a adoração.

Sobre a primeira etapa, lembrou as palavras do apóstolo Paulo: "Não há judeus nem gregos, nem escravos nem livres, nem homens nem mulheres, já que todos são um em Cristo", após o que acrescentou que nessas palavras "sente-se a verdade e a força da revolução cristã, a revolução mais profunda da história humana".

Bento XVI ressaltou que a Eucaristia "jamais pode ser uma coisa privada", mas é "um culto público, que não tem nada de esotérico, de exclusivo".

Em relação à procissão, o papa disse que significa fazer o caminho com Cristo, com a força que dá, e sobre a terceira, a adoração, afirmou que quem se ajoelha perante Jesus "não pode e não deve se prostrar perante qualquer poder terreno, por mais forte que seja".

"Os cristãos se ajoelham perante Cristo, que não nos julga e não nos diminui, mas nos liberta e nos transforma", afirmou Bento XVI.

Após a missa, o pontífice presidirá pelas ruas do centro de Roma a Procissão do Altíssimo, que terminará na Basílica de Santa Maria Maior.

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