inclusão de arquivo javascript

 
 

"Não precisei me afobar", diz Marjorie Estiano

28 de março de 2004 17h42

Marjorie Estiano vive a vilã Natasha em  Malhação. Foto: Pedro Paulo Figueiredo/TV Press

Marjorie Estiano vive a vilã Natasha em Malhação
Foto: Pedro Paulo Figueiredo/TV Press

Marjorie Estiano conhece como poucos o significado da expressão "levar o personagem para a cama". Nas primeiras semanas com os cabelos curtos e pintados de vermelho - visual adotado para encarnar a vilã Natasha, da nova temporada de Malhação -, a atriz tomava um susto cada vez que se deparava com um espelho pela frente.

"Era muito estranho. Acabavam as gravações, mas a personagem voltava todos os dias comigo para casa! Só agora estou me acostumando...", conta Marjorie - que, antes de ser escalada para o "folheteen", conservava há anos os cabelos louros e compridos até a cintura.

Na verdade, o novo visual fez parte de uma série de mudanças que movimentaram a vida da atriz nos últimos três meses. Natural de Curitiba, Marjorie morava há três anos em São Paulo, onde fazia cursos de interpretação e peças de teatro amador. Em dezembro do ano passado, fez teste para Malhação e nem esperou muito pelo resultado.

Às vésperas do Ano Novo, já estava no Rio de Janeiro. "Tive muito pouco tempo para compor a Natasha, mas também não precisei me afobar. Só agora a personagem começa a mostrar as garras", explica a atriz - que em 2001 chegou a fazer teste para a personagem-título da minissérie Presença de Anita. "Mas hoje vejo que não estava preparada. As coisas vêm na hora certa", pondera.

De fato, o triângulo formado por Natasha, Gustavo e Letícia, vivido por Guilherme Berenguer e Juliana Didone, em nada se parece com os das edições anteriores de Malhação. Para começar, o vocalista da Vagabanda está longe de fazer o tipo politicamente correto e, até agora, ganhou mais tapas que beijos da heroína, Letícia.

Além disso, Natasha não tem nada a ver com o perfil "patricinha sonsa e pegajosa", que se perpetuou entre as sucessivas vilãzinhas do "folheteen". Ao contrário, a baixista da banda está mais para "bad-girl" e mantém um "relacionamento aberto" com Gustavo. Pelo menos até ela se dar conta de que, pela primeira vez, pode perdê-lo de verdade. "Já conheci muitas meninas mazinhas como a Natasha. Hoje, me inspiro nelas e, ao mesmo tempo, as exorcizo da minha vida", garante.

Dos integrantes da Vagabanda, a intérprete de Natasha é a única que dispensa dublagem na hora de cantar. Afinal, Marjorie costumava soltar a voz na noite paulistana. "Participava de um grupo de teatro musical, que percorria bares e restaurantes encenando clássicos do cinema", conta a atriz, que ainda fez aulas de baixo para ganhar intimidade com o instrumento.

Ao contrário da personagem, que adora "barbarizar" no Colégio Múltipla Escolha, Marjorie jura que era muito tímida nos tempos de escola. "Era daquelas meio CDF, que sentava na frente e só tirava notas boas. Além disso, usava óculos e me achava dentuça demais! Foi o teatro que me trouxe auto-confiança", reconhece a atriz.

Aos 22 anos, Marjorie Estiano ri ao lembrar que interpreta uma garota de 16. Para "enganar bem", como ela mesma diz, a atriz anda mais antenada com os modismos e comportamentos típicos dos adolescentes. Tanto que até já incorporou alguns acessórios mais modernos ao guarda-roupa. "Faz parte da brincadeira de descobrir a personagem...", justifica, ressaltando, porém, que Natasha tem um estilo próprio e não se enquadra em nenhuma tribo.

Mas o visual da personagem foi construído com boa dose de sacrifícios por parte da atriz. Afinal, antes de ter os cabelos cor-de-fogo aprovados pelos diretores de Malhação, a loira viu suas madeixas em diferentes tamanhos e pintadas de várias cores.

"Primeiro tentaram o castanho, com pontas oxigenadas, e depois o preto. Mas nada agradava... Até que arrepiaram todo o meu cabelo e pintaram de vermelho. Aí, sim, disseram que fiquei a cara da Natasha", conta Marjorie, que no início estranhou-se no espelho. Mas jura que agora virou fã do novo corte. "É só lavar e está pronto. Não sou mais escrava da chapinha", entrega, bem-humorada.

TV Press