inclusão de arquivo javascript

 
 

Banco do Sul nasce como esperança à América do Sul

10 de dezembro de 2007 00h11

Brasil, Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai e Venezuela assinaram hoje em Buenos Aires a ata de fundação do Banco do Sul, com esperança de prosperidade para a América do Sul e uma forte crítica aos organismos multilaterais de crédito.

A ata de criação da nova entidade, que terá sua sede em Caracas, foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus colegas Néstor Kirchner, da Argentina; Evo Morales, da Bolívia; Rafael Correa, do Equador; Nicanor Duarte, do Paraguai, e Hugo Chávez, da Venezuela.

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, que foi representado no ato por seu embaixador em Buenos Aires, Francisco Bustillo, assinará a ata amanhã, quando participar da posse de Cristina Fernández de Kirchner como nova governante argentina.

Com um capital inicial que pode rondar os US$ 7 bilhões e escritórios em Buenos Aires e La Paz, a nova entidade pretende financiar o desenvolvimento econômico da América do Sul com um modelo completamente diferente ao do Fundo Monetário Internacional (FMI) ou do Banco Mundial (BM), afirmaram os governantes.

Os presidentes sul-americanos disseram também que o banco é uma nova esperança para a América do Sul e seu processo de integração.

"É um banco que não apenas resolve os problemas econômicos, mas também sociais", ressaltou o presidente da Bolívia, Evo Morales.

"A Bolívia é o último país da América do Sul e o penúltimo da América Latina e com esta classe de instrumentos podemos impulsionar certa igualdade entre países", apontou Morales, depois de ressaltar a necessidade de "acabar com as assimetrias de país a país".

"Hoje nasce uma esperança para nossos povos da América do Sul.

Esperamos acelerar sua implementação e que seja o mais democrático e transparente. É o primeiro passo para que a América do Sul tenha uma moeda única", assegurou.

O presidente Lula e seu colega do Equador, Rafael Correa, concordaram com Morales em que foi dado em Buenos Aires um novo passo em direção à "moeda única" da América do Sul.

Correa ressaltou que os países latino-americanos "têm mais de US$ 250 bilhões depositados em bancos do exterior com o pretexto da segurança".

Depois de repudiar "o neoliberalismo", taxado por ele como "desagregável", destacou que o Equador foi "submisso" às receitas do FMI.

O governante equatoriano advertiu que para "resolver este problema" da dependência regional dos organismos financeiros internacionais, o Banco do Sul "ainda é insuficiente", por isso pediu que todos trabalhem para fortalecer esta nova instituição.

"A soma de nossas reservas (monetárias) permitirá o financiamento do desenvolvimento de nossos povos", insistiu Correa.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, coincidiu com Correa em que é preciso repatriar "o dinheiro que é dos povos latino-americanos", em referência aos fundos colocados "nos bancos do norte".

O Banco do Sul "era impensável há dez anos" e "faz parte do conjunto de idéias de independência" que a região "tinha há 200 anos", afirmou.

Lula assinalou que o Banco do Sul "será fundamental" para o acesso dos países aos créditos para o desenvolvimento, "um passo importante para a autonomia financeira" da região.

"É o primeiro banco internacional realmente criado pelos países de nosso continente", disse Lula depois de elogiar o impulso de Chávez e Kirchner a esta iniciativa.

"O banco se transforma em um patrimônio da região e com sua consolidação vamos aprofundar a integração financeira regional.

Chegamos a um resultado aceitável para todos nós, agora precisamos permanecer firmes neste projeto", apontou.

O presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, sustentou que a América do Sul "começa a se impregnar de sentido social", porque "há um novo sinal na luta política regional".

Segundo Duarte, a região tem agora "uma voz muito mais potente, coesão e poder político", depois que "o poder midiático ao serviço do colonialismo" se dedicou "a desacreditar" os líderes.

O anfitrião, Néstor Kirchner, agradeceu "o carinho" de seus colegas e elogiou o apoio de cada um deles às iniciativas de integração regional.

EFE
EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.