Apenas 2 % detêm mais da metade da riquezas mundial, diz ONU
05 de dezembro de 2006 12h44

Dois por cento dos adultos do planeta detêm mais de metade da riqueza mundial, incluindo propriedades e ativos financeiros, revelou um estudo realizado por um instituto de desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e divulgado na terça-feira.

Apesar de a renda global estar distribuída de forma desigual, a distribuição da riqueza é ainda mais distorcida, afirmou o estudo do Instituto Mundial de Pesquisa sobre a Economia do Desenvolvimento, da Universidade das Nações Unidas.

"A riqueza está fortemente concentrada na América do Norte, na Europa e nos países de alta renda da Ásia e do Pacífico. Os moradores desses países detêm juntos quase 90 por cento do total da riqueza do planeta", disse a pesquisa.

O instituto, com sede em Helsinque, afirmou que o estudo era o primeiro de abrangência mundial a respeito da questão, para a qual há poucos dados disponíveis.

"Nós calculamos que os 2 por cento dos adultos mais ricos do mundo possuem mais da metade da riqueza global enquanto os 50 por cento mais pobres, 1 por cento", disse Anthony Shorrocks, diretor do instituto.

Shorrocks comparou o quadro a uma situação hipotética em que, de um grupo de dez pessoas, uma teria 99 dólares e as demais, apenas 1 dólar.

"Se pensarmos que a renda vem sendo distribuída de forma desigual, a riqueza está distribuída de forma ainda mais desigual", disse o diretor do instituto.

Segundo o estudo, em 2000, um casal precisava de um patrimônio de 1 milhão de dólares para estar entre os 1 por cento mais ricos do mundo —um grupo que reúne 37 milhões de pessoas.

Mais de metade dessas pessoas moram nos EUA ou no Japão.

E o estudo descobriu que um patrimônio líquido de 2.200 dólares por adulto colocaria uma família na metade superior da distribuição de riqueza.

Reuters
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