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Malvino Salvador vive vilão sedutor em O Profeta

28 de outubro de 2006 10h02 atualizado às 10h22

Malvino Salvador fez três novelas pela Rede Globo. Foto: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias/TV Press

Malvino Salvador fez três novelas pela Rede Globo
Foto: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias/TV Press

Os últimos dois anos foram intensos para Malvino Salvador. Em seu primeiro trabalho na TV, o ator conheceu o peso do drama na pele do peão Tobias, no remake de Cabocla, em 2004. Em seguida, aproveitou a leveza da comédia em Alma Gêmea, em 2005, com a divertida a história de amor entre o cozinheiro Vitório e a patroa Olívia - interpretada por Drica Moraes.

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Agora, no remake de O Profeta, o rapaz de sorriso sedutor e traços finos experimenta pela primeira vez um vilão. E dos "clássicos", que tem frieza, charme, poder e uma ambição incontrolável. Na trama de Ivani Ribeiro, adaptada por Duca Rachid e Thelma Guedes, com supervisão de Walcyr Carrasco, Malvino interpreta Camilo, o gerente da fábrica de cristais e braço-direito do dono, Clóvis, feito por Dalton Vigh.

O jovem é apaixonado pela encantadora Sônia, papel de Paola Oliveira - que o troca pelo primo Marcos, o profeta vivido por Thiago Fragoso. Um papel muito especial para o ator de 30 anos, que emplaca a terceira novela de uma carreira "meteórica".

Natural de Manaus, Malvino deixou a família e a faculdade de Ciências Contábeis, em 2001, para se aventurar nos palcos de teatro em São Paulo, até estrear no espetáculo Blue Jeans, de Wolf Maya. "Sempre fui dedicado. Sabe aquela história de pegar o bonde andando? Ele passa de tempos em tempos e eu consegui pegá-lo, porque estava preparado. E ele me levou", resume com bom humor.

Qual é a importância desse personagem de O Profeta na sua carreira?
Acho que encontrei uma certa maturidade profissional. Quando comecei em Cabocla, tinha feito apenas um trabalho no teatro, o espetáculo Blue Jeans. Nele, não tinha muito texto e eu mais dançava do que falava. Aí, de repente, pego uma novela da Globo, fazendo um dos principais personagens. Enfim, me dediquei muito e o trabalho me deu uma boa base e, de certa maneira, me estabeleceu. Aí veio o segundo trabalho, Alma Gêmea, que foi uma surpresa, porque eu teria de fazer comédia - o que acho mais difícil. Comédia tem a ver com ritmo, com espontaneidade. Enfim, depois desse, relaxei um pouco. Agora, veio a terceira novela, um vilão. Quando comecei a ler a sinopse e o perfil do personagem, fiquei empolgado. Cheguei para a novela mais confiante e tranqüilo.

O que mais o preocupou nesse início de trabalho? Em Cabocla, o Tobias tinha uma personalidade meio "em cima do muro". Era leal, amigo, ajudava as pessoas, amava a namorada. Ao mesmo tempo, era peão, guarda-costas, braço direito de um coronel, um cara muito brigão que poderia até matar. Então, ele tinha esse sangue frio, mas era um cara do bem. E tinha um rancor muito grande porque perdeu a namorada. Nessa novela agora, o Camilo também perde a namorada. Por conta disso, também vai ter um bocado de ressentimento. Só que o Camilo é um cara realmente ruim e egoísta, que quer as coisas para ele e fica irado quando sai perdendo. Então, como fazer a interpretação ficar diferente? Essa está sendo a minha maior preocupação. Não quero fazer um Camilo parecido com o Tobias.

Como você se preparou para viver o Camilo e onde buscou referências para representar um vilão?
Olha, já passei por certas situações na vida em que me decepcionei com pessoas que considerava grandes amigos. Essas experiências foram minha principal fonte de inspiração. Também assisti a alguns filmes dos anos 50, para me ambientar à época e conhecer um pouco mais do comportamento das pessoas. Mas não busquei inspiração no cinema. Li também alguns textos sobre o período. Geralmente, o próprio autor passa informações para o ator. Na sinopse, entendemos as relações de cada um dos personagens da novela. O Camilo tem um tipo de relação com a sociedade muito interessante. É um cara que usa sempre a sedução para conquistar a confiança das pessoas. Dessa forma, ele maquia seu lado safado e pilantra.

Nos primeiros capítulos, o Camilo parece ser um cara bondoso, trabalhador e apaixonado pela namorada. Como você está trabalhando essa transformação do personagem? Tive de buscar a essência do personagem. A personalidade do Camilo é bem interessante. É um cara maquiavélico e frio, que consegue esconder as emoções em prol de uma ambição maluca. Ou seja, é totalmente dissimulado e falso. A princípio, não tinha nada contra o Marcos. Os dois são primos. Mas a partir do momento que o Camilo o flagra aos beijos com a sua namorada, a história muda. E por ser um rapaz extremamente vaidoso, o fato de perder a Sônia para o primo o fere mais do que a própria separação. Então, ele trama contra o Marcos pelas costas para que não consiga ficar em São Paulo. Mas depois a história muda novamente quando o Camilo descobre o dom do primo. É um cara extremamente ambicioso e vê ali uma oportunidade de ganhar dinheiro.

Você acha o vilão um personagem capaz de abrir um leque maior de possibilidades para a sua carreira? Não acho que o vilão seja especialmente complexo. Para mim, qualquer personagem é complexo. A diferença é que o vilão faz a ação. É ele quem faz as coisas acontecerem na trama. Geralmente, é o mais inteligente. Agora, os vilões são seres humanos e sentem as mesmas emoções que os outros personagens sentem. Só que ele age de maneira maliciosa, maligna, maquiavélica. Não sei se um personagem como esse abre um leque maior de possibilidades. Já escutei que o sonho de todo ator é fazer um vilão. Bom, para mim está sendo muito bacana. Até porque o vilão sacaneia com todo mundo a novela inteira e só se ferra no final! (risos) A gente exercita um pouco o nosso sadismo!

Em determinado momento da trama, pela sinopse original de Ivani Ribeiro, o Camilo morre e vai tentar a redenção no plano espiritual. Como você vai trabalhar essa passagem e como isso pode refletir em sua interpretação?
No decorrer de sua vida, os percalços que encontrou, as amizades, o convívio com as pessoas, tudo levou o Camilo a optar pelo caminho das trevas. Um caminho que é mais fácil, que pode levar ao sucesso mais rapidamente, mas que não engrandece e não conduz a um conforto espiritual. Enfim, acho que quando entender que o caminho certo é o de luz, o Camilo sentirá essa energia e terá sua redenção. Mas isso só deve acontecer no final da novela. Agora, não sei se essa história vai acontecer, porque o Walcyr Carrasco pode mudar tudo.

Pela história, o Camilo é o personagem mais difícil da sua carreira?
Acho que cada um dos três personagens que interpretei foram muito difíceis. Todos precisaram de muito empenho e estudo. Agora, estou em minha terceira novela e já pude experimentar dois trabalhos antes. Meu primeiro personagem, o Tobias de Cabocla, era focado mais no drama. Já o Vitório, de Alma Gêmea, mais na comédia. Sinto que ganhei um pouco mais de base com eles. Por isso, estou mais tranquilo agora. Quando o ator está mais seguro, a tendência é que ele arrisque mais durante uma novela.

Você veio de Manaus e foi começar a carreira aos 28 anos. Por que demorou para estrear na TV?
Comecei a estudar teatro aos 25 anos. Antes disso, morava em Manaus e cursava faculdade de Ciência Contábeis. Estagiei no Bradesco, no Banco do Brasil e na Secretaria da Fazenda. Também trabalhei como vendedor em loja. Enfim, trabalhei muito até o quarto ano da faculdade, quando surgiu um convite para trabalhar como modelo em São Paulo. Só aí é que pensei em fazer um curso de interpretação. Até então, não sabia muito ao certo se isso seria um coisa legal. Foi um lance de intuição. Ao mesmo tempo, sempre fui apaixonado por filmes. Então, decidi ir para São Paulo e tudo começou.

O Profeta - Globo, de segunda a sábado, às 18 h.

Aguçado sexto sentido
Até bem pouco tempo atrás, atuar era uma atividade completamente fora dos planos de Malvino Salvador. Estudante da faculdade de Ciências Contábeis, em Manaus, o ator vivia com a cabeça cheia de contas, durante os estágios no Bancos do Brasil, no Bradesco, e na Secretaria da Fazenda da capital amazonense.

Tudo estava bem encaminhado, até que Malvino recebeu um convite para trabalhar como modelo em São Paulo. Seduzido pela proposta, o sexto sentido do ator entrou em ação. Como estava incerto de que tinha escolhido a profissão certa, o manaura partiu para a capital paulista.

"A princípio, a proposta era ficar um ano na cidade e, se conseguisse me sustentar, fazer os cursos e gostasse do trabalho, eu continuaria. Acabou que as oportunidades surgiram muito rápido", recorda.

Recém-chegado à Grande São Paulo, o ator matriculou-se em um curso de interpretação. E depois de seis meses, Malvino foi aprovado para o famoso espetáculo Blue Jeans, do diretor Wolf Maya. "Foi ali, quando entrei no palco, que descobri o que queria fazer na vida", lembra.

Mas Malvino já estava com 25 anos e, sensato, sabia que teria de correr muito atrás caso desejasse realmente seguir a profissão. O ator passou a estudar a ler peças de teatro e se inscreveu em mais cursos - sempre intercalados com os trabalhos de modelo que pagavam sua permanência em São Paulo. Foram cerca de três anos e meio até surgir a grande oportunidade: um teste para viver o Tobias no remake de Cabocla.

Malvino não teve dúvida. "Quando coloquei o figurino para fazer o teste, senti que era eu quem iria fazer aquela novela. Mais uma vez segui minha intuição. Fui muito confiante e acabei aprovado", resume.

Viajante do tempo
O Profeta é a terceira novela de Malvino Salvador na TV. Curiosamente, é também a sua terceira produção de época. Em pouco mais de dois anos de carreira, o ator só fez tramas de períodos bem distantes e distintos do atual. No remake de Cabocla, exibido na Globo em 2004, Malvino foi "transportado" durante os seis meses da trama para os campos verdes do Brasil mais rústico de 1918.

Já em Alma Gêmea, conheceu a sociedade urbana da década de 40, com suas modas e ar ainda rural. Agora em O Profeta, Malvino está conhecendo dia após dia um pouco do cotidiano da São Paulo dos anos 50, com suas fábricas - como a de cristais, onde seu personagem, o Camilo, trabalha na trama. Claro que toda novela de época tem seu charme, retratado nos figurinos e em suas diversas peculiaridades.

O ator, no entanto, torce para que seu próximo personagem seja em um folhetim contemporâneo. "O ator acaba conhecendo um pouco do período retratado, apesar de as novelas não serem muito fiéis aos fatos. São feitas muitas pesquisas, o que é maravilhoso. Mas estou muito afim de fazer uma novela ambientada no mundo de hoje", confessa.

Trajetória Televisiva Cabocla (Globo, 2004) - Tobias Alma Gêmea (Globo, 2005) - Vitório O Profeta (Globo, 2006) - Camilo

TV Press