Aluno trabalha no Laboratório da USP |
Christina Lima
De acordo com Miguel Dabdoub, coordenador do Projeto Biodiesel Brasil do Departamento de Química da USP, o emprego do B5, como foi batizada a experiência que prevê a mistura de 5% de biodiesel e de 95% de petrodiesel, reduziria as importações do diesel tradicional em 33%. "O aditivo também reduziria 7% da emissão de dióxido de carbono e de 17% da de enxofre, causador da chuva ácida", diz Dabdoub, que acredita ver a mistura rodando nos veículos brasileiros até 2005.
O projeto do B5 já está em andamento no Ministério da Ciência e Tecnologia. A idéia da fabricação de um combustível que utilize óleos de origem vegetal não é nova. Na Europa, especialistas já desenvolvem um biodiesel com metanol, um álcool obtido a partir do petróleo, não renovável e tóxico.
A grande vantagem do combustível desenvolvido pelos químicos da USP é o uso apenas de fontes 100% vegetais, reduzindo a emissão de dióxido de carbono, principal responsável pelo efeito estufa.
Matéria-prima é o que não falta no Brasil. O biodiesel pode ser obtido a partir dos óleos de soja, girassol, milho, canola e algodão. Como o babaçu, o dendê e o pequi (planta do cerrado) também podem ser aproveitados, a extração do óleo dessas plantas poderia servir de alicerce para o desenvolvimento de lavouras nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
O time da USP marcou outro gol com o novo combustível: o tempo do processo de produção foi reduzido de seis horas para 30 minutos, o que permite baratear o produto. Para isso são empregados um catalisador e um co-catalisador que aceleram a reação química. As duas substâncias são mantidas em segredo porque o processo está sendo patenteado. O certo é que a eficiência da reação chega a 100% e, no final, ainda separa o biodiesel da glicerina, possibilitando o uso deste subproduto de alto valor agregado nas indústrias farmacêutica, cosmética e de explosivos.
Miguel Dabdoub não se ilude com as dificuldades que a substituição integral do óleo diesel terá de vencer. "A área de produção de plantas oleaginosas teria de ser multiplicada e seria preciso reorganizar a rede de produção e de distribuição, ainda que não fosse necessário trocar tanques ou motores."
Questões econômicas e sócio-ambientais do uso do biodiesel e a sua viabilidade técnica serão discutidas no 1o Congresso Internacional de Biodiesel, de 14 a 16 de abril, em Ribeirão Preto, São Paulo. Os problemas e as vantagens da implantação real do combustível serão analisados no encontro por especialistas brasileiros e estrangeiros.