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Plenário absolve Wanderval Santos de cassação

Quarta, 22 de março de 2006, 20h06
Wanderval Santos se defende durante sessão no plenário
Wanderval Santos se defende durante sessão no plenário
22 de março de 2006
Agência Câmara/Divulgação

Maria Clara Cabral
Direto de Brasília


O plenário aprovou nesta quarta-feira a absolvição do deputado Wanderval Santos (PL-SP). A decisão contrariou parecer do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, que recomendava sua cassação por quebra de decoro parlamentar porque seu motorista, Célio Marcos Siqueira, sacou R$ 150 mil de uma conta do empresário Marcos Valério de Souza no Banco Rural.

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Do total de 444 parlamentares votantes, 179 votaram pela absolvição e 242 pela cassação. Houve 3 votos em branco e 20 abstenções. Eram necessários 257 para a cassação, ou seja, faltaram apenas 15 votos. É a primeira vez que um deputado tem mais votos pela cassação, porém é absolvido. Isso acontece graças ao quorom baixo em plenário.

Membros do Conselho de Ética receberam a notícia com indignação. O relator do processo, deputado Chico Alencar (Psol-RJ) diz que a a moralidade pública acabou. "Todos estão perdendo a compostura e a moralidade. Está acontecendo a banalização dos processos disciplinares", afirmou.

Alencar disse ainda que não esperava pelo resultado. "Recebi a notícia com surpresa. O meu relatório foi muito elogiado. Além disso, o Wanderval tem toda uma história de corrupção", disse.

O presidente do Conselho, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), declarou acreditar que, infelizmente as votações estão perdendo toda a importância. "Sinto realmente que alguns deputados não estão motivados. Não dá para analisar o que podemos fazer para mudar isso".

Wanderval recebeu a notícia na liderança do PL na Câmara junto com o líder do partido. Ele afirmou que sempre carregou a convicção de que era inocente e negou que tenha havido algum tipo de articulação para absolvê-lo. "Foi uma decisão soberana do plenário", disse. O deputado negou que o quórum estivesse baixo e que o número de deputados presentes tenha influenciado a votação.

Em sua defesa, ele afirmou que não tinha conhecimento do saque de seu motorista e que também não havia sido beneficiado com o dinheiro. Disse que seu motorista estava a serviço do coordenador da bancada da Igreja Universal do Reino de Deus, o ex-deputado Carlos Rodrigues. E acrescentou que, ao contrário do que havia afirmado o relator, "nunca terceirizei meu mandato".

Wanderval é o sexto deputado acusado de envolvimento no escândalo no mensalão que é absolvido pelo plenário da Câmara. Pela quinta vez, o conjunto dos deputados contraria a recomendação do Conselho de Ética. Foram cassados em função do escândalo, até o momento, Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor das denúncias, José Dirceu (PT-SP), e Pedro Corrêa (PP-PE).

Redação Terra
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Terra - Brasil
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