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Países Não Alinhados criticam unilateralismo

Sábado, 22 de fevereiro de 2003, 01h50


O vice-primeiro-ministro malaio, Abdullah Ahmad Badawi, inaugurou hoje a reunião ministerial prévia à XIII Cúpula do Movimento de Países Não Alinhados (Noal) com um pedido de união e advertindo para a ameaça do unilateralismo que se impôs na nova ordem internacional.

Esta reunião acontece após dois dias de reuniões preparatórias em Kuala Lumpur e é o preâmbulo da Cúpula de chefes de Estado e Governo que acontecerá na segunda-feira e terça-feira na capital malaia. Badawi disse em seu discurso de abertura que "a ordem mundial está caracterizada pelo crescimento de um único poder" e acrescentou que a bipolaridade da Guerra Fria, época na qual foi criado o Noal, foi substituída pelos interesses do unilateralismo.

"Em lugar de estarem subjugados à opressão colonial, agora crescem as desigualdades econômicas", criticou Badawi ante os ministros e representantes dos 114 países membros do Noal. Neste sentido, ele disse que os Não Alinhados têm o dever de mudar isto e assegurar a continuidade do multilateralismo.

Em relação ao conflito do Iraque, embora sem referir-se a ele de forma explícita, Badawi assinalou que "a maioria global disse não à guerra, e isto não pode ser ignorado". "Em um mundo unipolar, o Noal deve manter sua independência, assim como a paz e a estabilidade na ordem internacional; também devemos denunciar a guerra, a violência e o terror", acrescentou.

Com um pedido de união do grupo, Badawi disse: "Devemos tomar consciência de que o Noal significa dois terços do total de países membros da ONU, o que nos dá legitimidade política e moral para falarmos e sermos ouvidos". Os principais desafios do Noal são, segundo o vice-primeiro-ministro malaio, tomar consciência dos problemas da globalização e resolvê-los com reformas dos sistemas financeiros internacionais e de comércio global.

Ele também apontou como desafios para os países do Noal resolver o problema da dívida externa, o papel dos meios de comunicação, o aumento do uso da informação, a ameaça do terrorismo, a pobreza, a cooperação sul-sul e o perigo de certas doenças como a aids. Por último, o número dois do Governo malaio alentou aos ministros a trabalharem pela revitalização do Movimento, de cuja XIII Cúpula sairá a "Declaração de Kuala Lumpur", assim como um comunicado sobre a situação do Iraque, em cujo texto os delegados ainda trabalham.

EFE
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Terra - Brasil
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