No concurso, que tem o título "Onde está o limite da liberdade de expressão no Ocidente?", pode concorrer qualquer tipo de caricatura sobre o genocídio sofrido nos campos de extermínio nazistas pelos seis milhões de judeus de toda a Europa durante a Segunda Guerra Mundial.
O site www.irancartoon.ir explica que as primeiras caricaturas sobre o Holocausto foram enviadas por Michael Leunig, que vive em Melbourne (Austrália), e fez os desenhos "em solidariedade ao mundo muçulmano e para exercer a liberdade de expressão".
São duas charges. A primeira, intitulada "Auschwitz 1942", traz um judeu com a estrela de David no braço e um pacote, enquanto entra no campo de concentração em cuja porta pode ser lido: "Arbeit macht frei" (O trabalho liberta).
A segunda, cujo título é "Israel 2002", mostra o mesmo judeu com um fuzil nas mãos se dirigindo para um campo de batalha, em cuja entrada há uma inscrição que diz: "a guerra traz a paz".
No caso da charge do brasileiro, não há uma negação do Holocausto, mas o autor procura identificar os palestinos de hoje com as vítimas do extermínio. Carlos Latuff que começou no Movimento Sindical carioca tem hoje seus trabalhos espalhados pelo mundo. Um exemplo é a ilustração feita pela reabertura da rádio sérvia B92, conhecida por fazer oposição a Milosevic e fechada durante os bombardeios da OTAN.
Latuff chegou a viajar aos territórios ocupados da Cisjordânia e tem um cartoon preparado para o Peace Watch. Criou também um cartoon pelo banimento das minas terrestres no planeta, além de trabalhar com coisas mais próximas de nossa realidade, como o Movimento Anti-Manicomial e o grupo Tortura Nunca Mais do Rio e Pernambuco.
"A liberdade de expressão é um pretexto dos ocidentais para insultar as crenças dos muçulmanos", afirmou o jornal Hamshari, ao explicar o concurso, imaginado uma resposta à publicação de caricaturas do profeta Maomé na imprensa européia.
"Esta agressão acontece num momento em que a discussão e a crítica de inúmeros temas, como os crimes cometidos pelos Estados Unidos e Israel, ou acontecimentos históricos, como o holocausto, são considerados delitos imperdoáveis no Ocidente", afirmou o jornal iraniano.
"Em resposta às caricaturas sobre o profeta Maomé, o periódico lança um concurso internacional, com a ajuda da Casa da Caricatura, sobre o limite da liberdade de expressão no Ocidente", afirmou o Hamshari.
Segundo as bases do concurso, aquele que quiser participar pode enviar pelo menos três charges, as quais devem chegar ao jornal iraniano antes de 5 de maio. Até o momento, não se tem notícia sobre os prêmios a serem oferecidos pelo jornal, mas o Hamshari especificou que cada caricaturista receberá um livro com todos os desenhos enviados.
"Os jornais ocidentais publicaram esses desenhos sob o pretexto da liberdade de expressão. Vamos ver o que dizem e se publicam também os desenhos do Holocausto", disse Farid Mortazavi, executivo do jornal.
AFP