"Temos certeza dos vínculos entre a Al-Qaeda e o Iraque. O que não sabemos ao certo é o alcance exato desses laços", disse Blair em sua entrevista coletiva semanal.
No entanto, Blair admitiu que não tem provas da conexão entre o regime do presidente iraquiano, Saddam Hussein, e os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, atribuídos ao líder da Al-Qaeda, o terrorista saudita Osama Bin Laden.
Até agora, o primeiro-ministro trabalhista jamais vinculara a organização terrorista de Bin Laden ao regime de Bagdá de forma tão explícita, só se referindo a "laços pouco precisos" entre a Al-Qaeda e "certos indivíduos no Iraque".
O primeiro-ministro fez as declarações depois que o presidente dos EUA, George Bush, afirmou ontem em seu discurso sobre o estado da união que tem provas de que Saddam "ajuda e protege os terroristas, inclusive membros da Al-Qaeda".
Blair também aproveitou seu discurso parlamentar para pedir à Câmara dos Comuns e ao país - reticente, em sua maioria, a uma guerra sem o aval da ONU - união diante da crise iraquiana para que "a máxima pressão" recaia sobre Saddam Hussein.
Estes comentários coincidem com a ofensiva diplomática internacional empreendida por Tony Blair para conseguir apoio a uma intervenção militar contra Bagdá liderada pelos Estados Unidos. O primeiro-ministro britânico tratará hoje da crise iraquiana com seu colega italiano, Silvio Berlusconi, antes de viajar amanhã a Madri para falar com o primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, sobre o mesmo assunto.
Na sexta-feira, Tony Blair se reunirá com George Bush em Camp David (casa de campo oficial dos presidentes dos EUA, nos arredores de Washington), em uma reunião que a imprensa americana classificou como um "conselho de guerra".
EFE