Ali Agca deixa prisão escoltado por seguranças |
Agca se beneficiou de uma lei de anistia aprovada há anos na Turquia que permitiu reduzir a prisão perpétua à qual foi condenado pelo assassinato de Abdi Ipekci, diretor do jornal esquerdista Milliyet.
Ainda na prisão na Itália, onde passou 20 anos, Agca recebeu o perdão do papa João Paulo II, que o visitou em 1983. Em 2000, ele foi indultado pelas autoridades italianas e extraditado à Turquia em junho de 2000 para cumprir pena pela morte do jornalista.
Mais de 100 jornalistas estavam diante da prisão hoje para ver a sua saída, assim como seu advogado, Mustafa Demirbag, e vários familiares, incluindo o irmão de Agca, Adnan. Alguns jogaram flores no carro no momento em que saía da penitenciária.
Ele foi levado diretamente a um hospital para ser submetido a um exame médico. Ali Agca terá que se apresentar a um centro de alistamento do Exército, já que não cumpriu o serviço militar, obrigatório a partir dos 18 anos na Turquia.
Seu advogado informou que pedirá que, ao invés de cumprir o serviço militar, Agca possa pagar uma multa. Além disso, solicitará que seja eximido por motivos de saúde.
Atentado ainda é um mistério
Mehmet Ali Agca feriu, em 13 de maio de 1981, João Paulo II na praça de São Pedro, em Roma, e foi condenado à prisão perpétua na Itália. As circunstâncias do atentado, do qual Agca é o único autor confesso, ainda são um grande mistério.
O próprio agressor chegou a revelar que teve cúmplices no interior do Vaticano, enquanto a teoria mais aceita apontou que ele era um agente recrutado pelos antigos serviços secretos soviéticos, a denominada "pista búlgara".
A imprensa local turca divulgou esta semana que o Governo italiano ofereceu proteção total a Agca em troca de revelar todos os mistérios que cercam a tentativa de assassinato do Papa.