A crise alimentar no sul da África está piorando e pode atingir pelo menos mais 750 mil pessoas no sul da África por causa das más perspectivas da próxima safra, segundo a ONU.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU sugeriu hoje que os países ricos ampliem a ajuda de US$ 500 milhões que prometeram no ano passado à região. "A crise não acabou", disse Jennifer Abrahamson, representante do órgão.
Mais de 14 milhões de pessoas já passam fome em seis países do sul do continente, segundo o último levantamento do PMA, divulgado em agosto, que atribuiu os problemas ao mau tempo, à epidemia de Aids e à incompetência dos governos locais.
Abrahamson disse que os resultados preliminares de uma nova pesquisa mostram que o número de famintos no Zimbábue aumentou em quase 500 mil e já chega a 7,2 milhões.
Em Malawi, o número de necessitados deve subir de 3,3 milhões para 3,5 milhões de pessoas. Em Moçambique, serão 50 mil famintos a mais. Zâmbia e África do Sul também sofrem com o problema. Os números finais devem ser divulgados em algumas semanas. Zâmbia, Suazilândia e Lesoto também sofrem com o problema.
Em toda a África, segundo o PMA, há 38 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar. Dependendo dos resultados de Zâmbia, que ainda não estavam claros, o número de novos famintos pode atingir 1,25 milhão.
Num outro documento divulgado hoje, o Programa de Desenvolvimento da ONU (Pnud) alertou agências humanitárias e o governo do Zimbábue para o risco de uma catástrofe alimentar neste ano.
O Pnud afirma que o mais importante para evitar um surto de fome na região é que a ajuda internacional para 4 milhões de pessoas seja entregue ainda em janeiro.
O órgão da ONU também cita uma pesquisa, feita de forma independente, segundo a qual as áreas cultivadas no Zimbábue não chegam a 50% do que diz o governo.
Reuters