Porta-aviões da Marinha Real HMS Ark Royal deixa o porto de Portsmouth. |
Os Estados Unidos acusam o Iraque de possuir armas de destruição em massa proibidas, e ameaçou iniciar uma guerra se o país não cooperar com uma nova resolução de desarmamento do Conselho de Segurança da ONU. O Iraque nega que possua tais armas, mas os EUA já estão reunindo forças militares no Golfo Pérsico, para o caso de a guerra ser deflagrada.
De acordo com o jornal oficial Al-Jumhouriya, Ramadan declarou: "Sabemos que eles estão atuando como agentes de inteligência. O modo como conduzem suas investigações e os locais que escolhem para visitar não têm nada a ver com armas de destruição em massa.Mas estamos cooperando com as equipes de inspeção de maneira positiva, de modo a expor as mentiras das pessoas com má-intenção. As ameaças norte-americanas de guerra contra o povo do Iraque são injustificáveis (...)".
Especialistas da Comissão de Inspeção, Verificação e Monitoramento de Armas da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica visitaram hoje pelo menos oito localidades. Uma equipe especializada em armas biológicas foi a três locais em Bagdá e seus arredores, ao passo que outro grupo, à procura de armas químicas, visitou uma empresa fabricante de plástico nos subúrbios da capital.
Uma equipe à procura de mísseis dirigiu-se à Basra, ao sul do país, e outra visitou dois endereços pertencentes à Comissão Iraquiana de Industrialização Militar, a 50 quilômetros a noroeste de Bagdá. O último grupo de inspetores analisou as instalações da comissão em Jaber bin Haiyan, ao norte da cidade de Mosul, a 375 quilômetros ao norte da capital.
O mundo frente à guerra
O Al-Thawra, jornal do partido dominante Baath, acusou a comunidade mundial de não fazer nada para evitar a guerra: "O mundo não deveria ficar de braços cruzados em relação a essas ameaças. Deveria assumir sua responsabilidade e dar um basta às intenções agressivas dos norte-americanos contra o Iraque. É verdade que há uma rejeição internacional das ameaças dos EUA, mas isso não é suficiente. Deve haver medidas práticas para impedir a concretização das ameaças".
O Reino Unido enviou ontem ao Golfo o maior porta-aviões da marinha britânica, o Ark Royal, com 1,1 mil tripulantes. Ele vai liderar a esquadra de 16 navios, com cerca de oito mil combatentes, que partirá para o oriente nos próximos dias. Esta é a maior força-tarefa anfíbia deslocada pela Inglaterra desde a Guerra das Malvinas, em 1982. Hoje milhares de pessoas se uniram no centro de Los Angeles para protestar contra uma possível guerra.
Sexta-feira, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, determinou a mobilização de mais 35 mil militares, incluindo marines e pilotos de aviões de combate. Essa foi a maior convocação desde que o Pentágono começou publicamente a acionar soldados e forças nas últimas semanas.
A outra importante força militar do bloco, a França, insiste em uma ordem internacional para que se comece a guerra. A Alemanha se opõe abertamente à idéia de atacar o Iraque.
Os EUA já haviam proposto para a Otan que, em caso de guerra, a aliança poderia providenciar a defesa com mísseis ao sul da Turquia e disponibilizar aviões-radar da organização, bem como navios de patrulha e detectores de minas.
Relações EUA-Coréia do Norte também ameaçam a paz mundial
Paralelamente à crise com o Iraque, os Estados Unidos enfrentam as ameaças nucleares norte-coreanas. O país anunciou sua retirada do tratado de não-proliferação nuclear na sexta-feira, e hoje sustentou que tem poder suficiente para transformar os EUA em um "mar de fogo".
Ontem, a Coréia havia ameaçado retomar testes de mísseis balísticos, e afirmou que se o governo Bush não parasse de ameaçar seu país seria deflagrada uma guerra nuclear. O secretário de Estado adjunto dos EUA James Kelly chegou hoje à Coréia do Sul para examinar a escalada da crise.
Com sua retirada do tratado, a Coréia do Norte passa a ser o primeiro país dos 188 assinantes do Tratado a abandoná-lo. A Coréia do Norte admitiu em outubro que tem um programa secreto de enriquecimento de urânio. Em dezembro, o país decidiu reativar uma instalação nuclear com capacidade de fazer plutônio. O local havia sido desativado em respeito a um acordo antinuclear assinado em 1994 com os Estados Unidos.