O apelo partiu de Mohamed ElBaradei, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), enquanto autoridades européias se pronunciavam contra o que classificaram como pressa pela guerra baseada em inspeções de armas que nada provaram ainda. "Sem provas, seria muito difícil começar uma guerra", disse o coordenador de política externa da União Européia, Javier Solana.
O Iraque nega que tenha qualquer arma proibida. Entretanto, Washington diz que sim e que se o Iraque continuar a negar, estaria novamente em "violação material" das resoluções do Conselho, linguagem que pode significar guerra. "Nós precisamos de informações mais factuais", disse ElBaradei para repórteres em Washington após um relato para membros do Congresso dos EUA.
"Nós temos um bom processo de diálogo com os Estados Unidos e com outras agências de inteligência e eu espero que em poucas semanas consigamos informações adicionais que possam acelerar nosso trabalho de campo", disse Solana.
Com os olhos do mundo voltados para a Coréia do Norte, que admitiu desenvolver armas nucleares e abandonou o tratado de não-proliferação, autoridades norte-americanas insistem que o Iraque ainda é a maior ameaça, apesar do pouco que as inspeções encontraram. Autoridades iraquianas disseram hoje que equipes da UNMOVIC e da AIEA se dirigiram para cinco locais no centro do país.
Um grupo de armas biológicas da UNMOVIC inspecionou duas companhias estatais de remédios e equipamentos médicos na capital e uma equipe de armas químicas se dirigiu para um local não revelado ao norte de Bagdá. Outra equipe de mísseis visitou a base de Ibn Seena em Tarmiyah, ao norte de Bagdá, e uma da AIEA foi a uma unidade do al-Amiriyah em Falluja.
Pentágono enviará 35 mil militares
Ontem, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, determinou a mobilização de mais 35 mil militares que serão enviados ao Golfo Pérsico, incluindo marines e pilotos de aviões de combate. Essa foi a maior convocação desde que o Pentágono começou publicamente a acionar soldados e forças nas últimas semanas.
A Grã-Bretanha também está mobilizando suas forças paralelamente aos americanos, apesar das graves dúvidas do Partido Trabalhista inglês, do primeiro-ministro Tony Blair. A outra importante força militar do bloco, a França, insiste em uma ordem internacional para que se comece a guerra. A Alemanha se opõe abertamente à idéia de atacar o Iraque.
Os EUA já haviam proposto para a Otan que, em caso de guerra, a aliança poderia providenciar a defesa com mísseis ao sul da Turquia e disponibilizar aviões-radar da organização, bem como navios de patrulha e detectores de minas.
Reuters