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Paquistão recebe mísseis com capacidade nuclear

Quarta, 8 de janeiro de 2003, 17h21


O Exército do Paquistão recebeu hoje mísseis de médio alcance produzidos domesticamente capazes de carregar ogivas nucleares, revelou uma declaração militar.

O anúncio foi feito horas depois de a Índia, país vizinho que tem capacidade nuclear e com quem o Paquistão já travou três guerras, afirmar que está se preparando para fazer testes de mísseis nos próximos dias.

O Sistema de Armas Estratégicas Jane's, em Londres, estima que a Índia tenha de 100 a 150 ogivas, e o Paquistão, de 25 a 50. O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, foi à cerimônia de entrega dos mísseis Hatf V Ghauri.

Ele afirmou que o Paquistão pagou caro por desenvolver mísseis, em uma aparente referência às sanções econômicas internacionais impostas depois de seus testes nucleares, em 1998.

O Ghauri 1 tem alcance de 1.500 km, enquanto o mais avançado Ghauri 2 pode atingir até 2.300 km. A declaração não esclareceu que versão foi entregue ao Exército ou se as duas o foram.

"Seus únicos propósitos são a intimidação à agressão e a defesa da nossa soberania", afirmou Musharraf. O Paquistão não descartou o uso de armas nucleares, dizendo que lançaria um ataque nuclear se a integridade de seu território fosse ameaçada.

Na Índia, uma autoridade afirmou que os preparativos para testar um míssil Agni 1, com alcance de 600 a 800 km, de uma plataforma de lançamento na baía de Bengal, já foram feitos.

O míssil Agni terra-terra, cujo nome vem do sânscrito e quer dizer fogo, é um elemento-chave na estratégia de defesa da Índia contra os vizinhos com poder nuclear China e Paquistão.

Arqui-rivais, Índia e Paquistão se revezaram nos testes nucleares, na base do olho-por-olho, em maio de 1998, e conduziram numerosos testes de mísseis capazes de carregar ogivas nucleares.

Os dois vizinhos já travaram três guerras desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947, e estiveram na iminência do quarto conflito no ano passado.

Reuters
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Terra - Brasil
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