Um segundo relatório, também publicado hoje, atribui o desinteresse da polícia o fato de que muitas violações não são denunciadas e que poucos responsáveis são condenados. Apesar de terem aumentado nos últimos anos as denúncias de estupros, o número de penas por esse crime não variou.
Isso faz com que o índice de penas em relação às denúncias efetuadas caia de 33% em 1977 para pouco mais de 5% na atualidade. Segundo a primeira pesquisa, uma de cada cinco pessoas acha que a mulher tem culpa de ser estuprada se demonstrou promiscuidade sexual no passado.
Aproximadamente a mesma percentagem considera que se uma mulher caminha por uma zona perigosa ou abandonada e é sexualmente atacada, a culpa é sua pelo menos em parte. A percepção de mil homens e mulheres consultados para a sondagem da Anistia Internacional é muito similar no que se refere à atribuição da responsabilidade à própria vítima.
Vera Baird, deputada do Parlamento britânico que lidera uma comissão sobre a Mulher e o Sistema Penal Britânico, acha que, enquanto não for alterada essa atitude do público em geral, os júris que precisam decidir nos processos por estupro continuarão absolvendo muitos criminosos.
Entre 2004 e 2005, aconteceram na Grã-Bretanha mais de 12 mil violações, embora só 15% tenha sido denunciada à Polícia, segundo alguns cálculos.
EFE