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Morales diz que não pretende confiscar ativos de empresas de gás

Sexta, 18 de novembro de 2005, 19h30

Andrew Hay


Favorito nas eleições presidenciais bolivianas, o ativista indígena Evo Morales prometeu na sexta-feira que não confiscará os ativos das empresas de gás se vencer as eleições e lançar planos para nacionalizar o setor.

Usando um tom mais moderado depois de conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder da oposição boliviana afirmou que os novos contratos assinados sob a vigência de um eventual programa de nacionalização do gás respeitarão os interesses de empresas privadas assim como dos governos.

"Vamos exercitar os direitos de propriedade na Bolívia se vencermos. Isso não significa o confisco e a expropriação de ativos das empresas de petróleo", disse Morales a jornalistas depois de se reunir com Lula por quase duas horas.

"Os contratos têm fundamentalmente de beneficiar o Estado, mas eles também têm de beneficiar a empresa", acrescentou.

Os planos de Morales geraram preocupação em alguns investidores estrangeiros que têm recursos na Bolívia, que tem a maior base de gás inexplorada no mundo.

Se o ex-plantador de folhas de coca vencer as eleições de 18 de dezembro, seus planos terão consequências importantes para a Petrobras .

A companhia investiu 1,5 bilhão de dólares na indústria boliviana de gás e sua produção representa cerca de 20 por cento do Produto Interno Bruto boliviano.

O Brasil é o maior investidor externo na Bolívia e as conversas de Lula com Morales ocorreram depois de uma reunião, ocorrida na véspera, com um outro candidato à Presidência da Bolívia, o empresário de centro Samuel Doria Medina.

A espanhola Repsol YPF e a britânica BP também investem na indústria de gás boliviana.

As disputas entre os bolivianos sobre como explorar o gás do país derrubaram dois presidentes no país mais pobre da América do Sul nos últimos dois anos.

Uma lei aprovada em maio colocou a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) como operadora do setor de gás natural do país. As empresas estrangeiras têm recebido solicitações para trocarem seus contratos atuais por um novo com a YPFB.

O prazo final para renegociação dos contratos venceu nesta semana e a questão só deve ser resolvida depois da eleição.

Morales disse que quer a Petrobras e a estatal venezuelana PDVSA trabalhando em parceria com a YPFB.

"Realmente queremos que a Petrobras seja o irmão mais velho da YPFB", disse. "Na última lei nós decidimos reestabelecer a Petrobras, não somente com a PDVSA mas também com outras empresas estatais."

A companhia brasileira ainda não recebeu a proposta do contrato de parceria, por isso não sabe que tipo de papel o Estado planeja que ela desempenhe.

Reuters
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Terra - Brasil
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