Os cartazes eram assinados por um grupo pouco conhecido, o Lashkar Jabbar, e diziam às mulheres da cidade de Rajouri e arredores que não saíssem de casa sem o véu, uma marca das muçulmanas. Mais de dez guerrilhas combatem a presença indiana na Caxemira, uma região de maioria islâmica. O conflito separatista é um frequente ponto de atrito entre Índia e Paquistão.
No passado, alguns desses grupos separatistas já ordenaram às mulheres do vale da Caxemira que usassem o véu, mas as ordens tiveram pouca repercussão. Em 2001, o Lashkar Jabbar atacou com ácido duas mulheres que desrespeitaram o código de vestimentas, na principal cidade da Caxemira, Srinagar. O grupo também ameaçou balear outras mulheres que não pusessem o véu.
As mulheres hindus, o Lashkar ordenou que usassem o tradicional "bindi" - um ponto colorido na testa - e às sikhs que cobrissem a cabeça com um lenço amarelo. A situação é tensa na Caxemira também por causa da greve geral, que chegou ao segundo dia na sexta-feira, em protesto contra a sentença de morte imposta a três suspeitos de participarem de um ataque ao Parlamento indiano, no mês passado.
Os três homens - Mohammad Afzal, Shaukat Hussain e Abdul Rehman Geelani - se dizem inocentes. Seus advogados prometeram recorrer da sentença. Conforme a polícia, Afzal e Hussain são membros do proscrito grupo Jaish-e-Mohammad, com sede no Paquistão. A Índia acusa o país vizinho de fornecer armas e treinamento para os militantes islâmicos da Caxemira. O governo paquistanês admite apenas apoio político à causa deles. O conflito já matou mais de 35 mil pessoas.
Reuters