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Cardeal chileno questiona vigência do celibato sacerdotal

Sábado, 7 de dezembro de 2002, 21h59


O cardeal arcebispo de Santiago, Francisco Javier Errázuriz Ossa, questionou hoje a vigência do celibato sacerdotal e se perguntou se não seria bom que os religiosos pudessem se casar. "Há situações que fazem aflorar a pergunta se não seria bom que alguns sacerdotes fossem casados", disse o prelado em uma entrevista concedida a Rádio Cooperativa, em alusão aos casos de pederastia, homossexualidade e concubinato descobertos ultimamente no clero chileno, que chegaram até a um arcebispo.

Conforme Errázuriz, também presidente da Conferência Episcopal chilena, a imposição do celibato sacerdotal "sempre foi revisável", embora disse que "o que ocorre é que se aprecia tanto o celibato que não existe a vontade de revisá-lo, para não perder um tesouro tão grande".

O celibato, acrescentou, "não é uma imposição de Jesus Cristo, mas do Espírito Santo", e lembrou que São Pedro, o primeiro Papa, era casado.

As declarações do cardeal chileno coincidem com as que fez no último dia 10 o arcebispo de Serena, Manuel Donoso, cuja arquidiocese, a 500 quilômetros ao norte de Santiago, concentrou alguns dos escândalos sexuais de religiosos mais divulgados dos últimos meses.

O celibato "é evidentemente revisável porque é um tema disciplinar", disse Donoso, que expulsou um pároco depois de descobrir que este tinha um filho com uma de suas paroquianas.

O incidente deu seqüência ao escândalo ocorrido na cidade depois de se tornar público que o antecessor de Donoso, Francisco José Cox Hunneus, foi separado do arcebispado em 1997 devido a suas desenfreadas condutas homossexuais e a algumas acusações por supostos abusos contra menores.

Cox Hunneus, depois de passar um tempo em Bogotá, designado a um trabalho no Comitê Episcopal Latino-americano (Celam), viajou há um mês para a Alemanha, onde permanecerá recluso pelo resto da vida em um monastério de Padres de Schoenstatt, a congregação a que pertence.

O cardeal Errázuriz declarou-se partidário da idéia de que um sacerdote acusado de paternidade se submeta a testes de DNA, ao comentar o caso de uma mulher que acusou um pároco de seu povoado, que fugiu para a Itália e continua exercendo o sacerdócio.

O fato foi denúnciado pela revista "Sábado" do jornal "O Mercúrio" e o acusado é o sacerdote italiano Lino Santini Ferreti, que trabalhou um tempo em Los Angeles, a 500 quilômetros ao sul de Santiago, onde aconteceram os fatos.

A mulher, mãe de uma menina de sete anos, assegura que o pai é o padre, que se nega a reconhecê-la legalmente e a se submeter aos testes de paternidade.

O padre, localizado pela revista em Gimigliano (Itália), onde vive atualmente, confirmou que não deseja saber nada sobre a mulher e a menina. "Não quero demonstrar nada. Não estou convencido que seja minha filha, pelo menos não tenho certeza", afirmou, em uma tácita admissão que pelo menos quebrou seu celibato.

"Toda criança tem direito de saber quem é seu pai", afirmou hoje o cardeal Errázuriz, que por sua vez reiterou sua rejeição a uma lei de divórcio que se tramita no parlamento chileno, "porque cria mais problemas dos que pretende resolver".

Também apoiou um recente pronunciamento da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos contra a ordenação sacerdotal de homossexuais, por considerá-la "imprudente e perigosa". De acordo com Errázuriz, os homossexuais têm uma compulsão irrefreável para a atividade sexual que não ocorre entre os heterossexuais.

EFE
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Terra - Brasil
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