EUA enfrentarão mudanças extremas de temperatura

Segunda, 17 de outubro de 2005, 23h02


Os Estados Unidos enfrentarão mudanças extremas de temperatura no próximo século e uma piora das chuvas ao longo da costa do Golfo, região castigada por furacões este ano. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira através de um estudo climático publicado na edição on-line do jornal Proceedings of the National Academy of Sciences.

O estudo adverte que os níveis atuais de gases causadores do efeito estufa provavelmente dobrarão até o fim do século. "Imagine a temperatura durante as duas semanas mais quentes do ano. No fim do século, a região poderá experimentar temperaturas como estas durante períodos de até dois meses", afirmou o chefe das pesquisas, Noah Diffenbaugh, em alusão ao nordeste dos Estados Unidos.

Os pesquisadores alegam que o estudo, feito com a ajuda de supercomputadores da Universidade do estado de Indiana, é o modelo climático mais abrangente já criado. Este prevê que o sudoeste dos Estados Unidos poderá ter um aumento de até 500% de eventos quentes, deixando menos água para a crescente população, que a região do Golfo receberá mais chuvas em períodos mais curtos e que os verões no nordeste serão menores e mais quentes.

De um modo geral, o estudo sugere que os Estados Unidos experimentarão uma tendência de aquecimento. "As mudanças previstas são grandes o suficiente para desorganizar substancialmente nossa economia e infra-estrutura", alertou Diffenbaugh, professor assistente para ciências da Terra e atmosféricas da Universidade Purdue.

Além dos gases do efeito estufa, o modelo levou em conta fatores tais como as correntes oceânicas, a formação de nuvens e a vegetação. O estudo também considerou circunstâncias não totalmente incluídas em modelos precedentes, tais como a neve que reflete a energia do sol de volta para o espaço e os cumes das montanhas, que podem ficar no caminho de frentes climáticas em trânsito.

Os cientistas também checaram a eficácia do modelo, analisando o período de 1961 a 1985. "O desempenho do modelo foi admirável", disse Diffenbaugh, acrescenando que esta é "a projeção mais detalhada de mudanças climáticas que nós temos para os EUA".

AFP
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Terra - Brasil
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