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Cientistas querem criar híbrido de homem e rato

Quarta, 27 de novembro de 2002, 22h10


Um grupo de cientistas norte-americanos e canadenses está desenvolvendo uma experiência na qual injetariam células-tronco (que começam a ser produzidas dias depois que o óvulo fertilizado começa a se dividir e que os órgãos são desenvolvidos) humanas em um embrião de rato, o que criaria um ser híbrido. A informação foi divulgada hoje no jornal The New York Times. O objetivo seria comprovar as propriedades de diferentes linhagens de células-tronco.

A pesquisa não poderia ser realizada com seres humanos por razões éticas. Mas ao injetar células-tronco em um embrião de rato, o animal que nascesse poderia ter células humanas espalhadas por todo seu corpo, incluído o cérebro. O rato poderia, inclusive, produzir esperma ou óvulos humanos.

Alta Charo, vice-reitora da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin e especializada em bioética, disse que as questões fundamentais são onde será injetado o material genético humano, quanto será injetado e se começa a se tornar confusa a diferença entre o animal e o ser humano. Charo considera aceitável que sejam utilizadas células-tronco para o desenvolvimento de um órgão determinado e sejam inoculadas relativamente tarde no desenvolvimento do embrião do animal.

Em uma reunião organizada pelo biólogo Ali Brivanlou, o grupo de cientistas discutiu a possibilidade de implantar células-tronco humanas em um embrião de rato quando este é uma pequena bola de células chamada blastócisto. Brivanlou disse ao The New York Times que depois comprovariam se as células humanas aparecem em todos os tecidos do roedor.

A medicina vê as células-tronco como uma panacéia que têm a capacidade primordial para a diferenciação, e podem se transformar em sangue, ossos, pele e qualquer outra parte do corpo. Os cientistas desejam usá-las na resistência aos efeitos degenerativos de doenças como Parkinson e câncer. O enigma é como controlar a capacidade das células-tronco para desenvolver tecidos e órgãos específicos que possam ser usados em transplantes. Os cientistas ignoram qual parte do corpo é o lugar apropriado para implantá-las e se o melhor momento de injetá-las no paciente é quando começam a desenvolver o tecido ou antes.

Para Charo, uma forma de encontrar respostas a estas perguntas é realizar experiências com animais. "O mero ato de misturar material (genético) humano e não humano parece horrível, mas é relativamente comum", explicou Charo. A professora citou o exemplo de pessoas cujos corações funcionam com válvulas transplantadas de porcos. Além disso, a distinção entre a informação genética de alguns animais, como os primatas, e o ser humano não é tão clara se pensa.

O dilema ético em torno desta experiência aponta para o centro da controvérsia sobre o aborto. Alguns pensadores opinam que o ser humano é o material genético e portanto começa com a concepção, enquanto outros acham que a humanidade radica na consciência de si mesmo. Para a segunda corrente, seria preocupante se o experimento fizesse com que as células humanas se desenvolvessem no cérebro do rato e "o animal percebesse a si mesmo de forma diferente que um animal faria", declarou Charo.

A professora afirmou que uma forma extremamente simples de evitar os problemas éticos apresentados pela criação de um híbrido de um ser humano e um animal é matar o embrião antes que ele nasça.

EFE
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI71151-EI296,00.html