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Grande manifestação lembra divisões raciais nos EUA

Sábado, 15 de outubro de 2005, 19h02


A grande manifestação pela igualdade realizada hoje em Washington evidenciou as divisões raciais dos EUA, onde ainda existem dois mundos no país: um majoritariamente branco e rico e outro negro e pobre.

A manifestação lembra o 10º aniversário da "Marcha de um Milhão de Homens", que em 1995 reuniu em Washington meio milhão de afro-americanos. Há uma década, os organizadores pediram aos participantes que contribuíssem para a melhora de suas famílias e comunidades. Agora, querem criar um novo movimento social de luta contra a desigualdade que vá muito além deste fim de semana.

As estatísticas dão uma noção das disparidades que o movimento quer enfrentar: a expectativa de vida dos negros é seis anos menor que a dos brancos; o desemprego duas vezes maior e o patrimônio, 10 vezes inferior.

Ao contrário dos asiáticos, italianos ou irlandeses, a "América negra" não conseguiu completar os quatros passos pelos quais geralmente passam os imigrantes: pobreza na chegada aos EUA, preconceito, assimilação e prosperidade.

Muitos dos afro-americanos continuam presos na segunda fase, algo que os especialistas atribuem ao fato de que foi o único grupo que chegou aos EUA contra sua vontade e que passou 250 anos na escravidão.

Os organizadores da manifestação dizem que agora é hora de unir esforços e prosperar. Essa é a mensagem transmitida hoje por Louis Farrakhan, principal e polêmica figura da marcha, que assegura que se pode mudar se os negros somarem suas forças.

Líder do grupo religioso muçulmano "Nação do Islã", Farrakhan é famoso por suas teorias de conspiração, como a de que o dique de contenção de Nova Orleans arrebentou devido a uma explosão intencional e não pela fúria do Katrina. O objetivo era "se livrar dos pobres".

Seja como for, seu discurso é ideal para uma comunidade que quase quatro décadas após o assassinato de Martin Luther King ainda está longe de alcançar o sonho de igualdade a que um dia se referiu o carismático reverendo afro-americano. Conseguir esse sonho é questão de organização, segundo Farrakhan.

O líder afro-americano ressaltou em entrevista coletiva nesta semana que o canal meteorológico Weather Channel informou que o Katrina passou de tempestade tropical a furacão por causa do nível de organização existente dentro da tempestade.

"Tiro disso a lição de que se conseguirmos esse nível de organização não existirá fórum nos EUA em que se negará o acesso dos negros", afirmou.

Por causa disso, Farrakhan quer criar um movimento social que busque soluções para as disparidades raciais dos EUA. Essas diferenças se repetem em muitos lugares do país, como em New Haven (Connecticut), sede da elitista Universidade de Yale e também de um dos bairros negros mais pobres do país.

Atlanta, a cidade em que Martin Luther King nasceu, é outro exemplo de universos paralelos. Em um deles, há grandes companhias como a Coca-Cola e a rede de televisão CNN. No outro está o gueto negro de Auburn Avenue, onde pobreza e crime se unem.

Os críticos dizem que manifestações como esta e a de 1995 não mudam nada. Farrakhan, ao contrário, acredita que a marcha de uma década atrás serviu para aumentar a participação de voto dos negros e diminuir a criminalidade. Outros organizadores são mais céticos.

"Há mais pessoas nos EUA vivendo na pobreza agora que em 1995, ou seja, de certa forma há mais razões para se manifestar agora que há 10 anos", disse esta semana Benjamin Chavis, um dos organizadores da manifestação.

A marcha de hoje homenageou as vítimas do Katrina, muitas delas pessoas pobres e negras. A manifestação teve o apoio de grupos de defesa de direitos civis, grupos femininos como o "Conselho Nacional das Mulheres Negras", e o prefeito de Washington, o afro-americano Anthony Williams.

Em Toledo (Ohio), uma manifestação de extremistas brancos foi controlada hoje pela Polícia da cidade após um confronto com grupos de negros, a que se seguiram choques com a Polícia, um incêndio e saques.

EFE
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Terra - Brasil
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