De acordo com a revista Panorama, o Papa Bento XVI aprovou e já assinou o documento que inclui uma série de recomendações para impedir o acesso ao sacerdócio dos seminaristas que manifestem tendências ao homossexualismo. Entretanto, pediu que a notícia seja divulgada mais tarde, provavelmente após da assembléia de bispos que é realizada atualmente no Vaticano.
Vários meios especializados haviam anunciado a próxima divulgação do texto, dirigido aos bispos e aos dirigentes dos seminários sobre o polêmico tema.
De acordo com a publicação italiana, o documento foi avaliado também por um psicólogo de renome, que através de uma série de comentários esclarece vários aspectos do ponto de vista científico. Os comentários deverão ser publicados pelo jornal da Santa Sé, L'Osservatore Romano.
A Congregação para a Educação Católica, a oficina da Santa Sé que se encarrega da formação dos sacerdotes, trabalha há vários anos para definir a conduta que deve adotar a hierarquia da Igreja Católica para com os candidatos homossexuais ao sacerdócio.
A congregação se ocupa com mais atenção do tema desde que estouraram escândalos relacionados à presença de sacerdotes pedófilos e homossexuais em diversos países, em particular nos Estados Unidos.
Para a Igreja Católica, os sacerdotes com tendências homossexuais são mais frágeis e passam com mais facilidade ao ato que os heterossexuais. A Igreja condena o homossexualismo como um comportamento "intrinsecamente ruim", e em um documento oficial o classifica como uma inclinação "objetivamente desordenada".
O Vaticano pretende fazer um apelo sério e convincente para que os bispos e os encarregados da formação dos seminaristas se mobilizem, fazendo uso de todos os recursos da psicologia moderna, para detectar aqueles que tenham um perfil considerado perigoso.
Existem cerca de 6,5 mil seminários no mundo e a expulsão dos seminaristas com tendências homossexuais não é uma regra nova, já que foi aprovada uma em 1961, mas tem sido pouco aplicada devido à diminuição nos últimos anos das vocações nos países ocidentais.
Para estabelecer a orientação sexual dos seminaristas, o documento contou também com a ajuda de especialistas e estudiosos da Pontifícia Universidade Gregoriana.
Segundo o jornal Il Corriere della Sera, as recomendações estabelecem que os que não tenham sido "castos" por pelo menos três anos não poderão ser ordenados sacerdotes. Serão excluídos também os que tenham tido relações homossexuais. Também não poderão ser padres aqueles que se declararem publicamente homossexuais, que ostentam atitudes gays ou que participem de reuniões, clubes ou manifestações desse tipo.
Cultivar interesses culturais relacionados ao mundo dos homossexuais, inclusive os mais privados e íntimos, como filmes, livros e internet, também é motivo para não serem admitidos no sacerdócio.
A aprovação das novas regras foi rejeitada pelo líder italiano da organização de defesa dos homossexuais Acigay, Franco Grillini. "A homofobia na Igreja é cada vez mais evidente", declarou.
AFP