Os fetos se demonstraram assustados em resposta ao ruído, seguido de inspirações e expirações profundas, de uma abertura de boca e tremor de queixo típicos de quem vai chorar. O comportamento foi verificado em 11 fetos e começa a partir da 28ª semana de gravidez. As ultra-sonografias e os estímulos sonoros foram feitos como parte de uma pesquisa para verificar os efeitos do hábito materno de fumar e usar cocaína durante a gestação.
Para o médico Ed Mitchell, co-autor do estudo, não é uma surpresa que fetos com este tempo de vida tenham este tipo de comportamento, já que bebês prematuros que nascem em torno da 28ª semana de gravidez são capazes de chorar.
A descoberta terá, segundo Mitchell, importantes implicações. Para chorar, comentou o médico, o feto precisa ter capacidade de se movimentar e de um desenvolvimento sensorial e cerebral para processar o som e reconhecê-lo como algo negativo.
O médico aproveitou para lembrar de um recente e polêmico estudo no qual pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, concluíram que os fetos são incapazes de sentir dor antes da 29ª semana de gravidez. "Acredita-se que o 'caminho da dor' no cérebro começa a se desenvolver entre a 23ª e a 30ª semana de gravidez", declarou.
Reuters