Em entrevista ao programa de TV Fantástico, o ex-diretor da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), José Luiz Santana, confirmou a revelação feita pelo ex-presidente da República e atual senador José Sarney (PMDB-AP). No início do mês, Sarney afirmou que o plano de construção da bomba atômica surgiu durante o regime militar.
Santana confirmou a autenticidade das informações presentes em um relatório secreto do Consenho de Segurança Naciona (CSN), que apontava os planos do CNEN. A idéia era testar o artefato - que estava quase pronto em setembro de 1990 - em um buraco da Serra do Cachumbo, no sul do Pará.
Segundo Santana, as "peças estavam sendo construídas por grupos civis dentro da CNEN" e a arma teria poder comparável às utilizadas pelos norte-americanos em Hiroshima e Nagazaki, no Japão, no final da 2ª Guerra Mundial.
A data marcada para o primeiro teste era o dia 7 de setembro de 1990. O então presidente Fernando Collor de Mello, no entanto, ordenou o fim do projeto às vésperas do teste. Com o desmantelamento do plano, Santana afirma que foi alvo de três tentativas de assassinato. Foram dois atentados com sabotagem em carros e um a tiros.
O ex-ministro da Aeronáutica de Sarney, Otávio Moreira Lima, contesta a informação de Santana. "Não havia uma bomba, e sim um artefato nuclear. São coisas diferentes", diz Santana. Collor, no entanto, afirma que os planos estavam em estado avançado e que o Brasil estava a um passo de obter a bomba.
Sarney havia dito que ordenou o encerramento do projeto por medo de que o assunto chegasse aos ouvidos do governo argentino, que negociava com o Brasil uma aproximação diplomática e também estaria pesquisando meios para montar um artefato semelhante. Segundo Sarney, a Argentina estaria "10 anos à frente do Brasil" nesse sentido.
A ordem de Sarney, no entanto, foi ignorada pelas forças armadas e pelo próprio CNEN, e o plano seguiu em desenvolvimento mesmo após a Constituição de 1988 ter sido promulgada. A Carta Magna estabelecia que a energia nuclear só poderia ser utilizada no País para fins pacíficos.