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Lula procura pacto com PMDB para superar crise política

Sábado, 25 de junho de 2005, 18h50


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, negocia um "pacto de governabilidade" com a centro-direita para superar a crise política desencadeada por um escândalo de corrupção no Partido dos Trabalhadores (PT).

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    Lula, que enfrenta a pior crise de seu governo, cancelou a viagem que começaria amanhã a Colômbia e Venezuela para dedicar-se a uma reforma ministerial que aumente a participação em seu gabinete de outras forças políticas e impeça uma paralisia do Executivo no tempo restante de seu mandato.

    O governante gravou neste sábado seu programa quinzenal de rádio Café com o Presidente e, segundo seus assessores, não tem compromissos oficiais para o fim de semana.

    O "pacto de governabilidade" almejado pelo governante prevê uma aliança com o PMDB que aumentaria em qualidade e quantidade sua participação no governo, no qual tem a responsabilidade dos Ministérios de Comunicações e Previdência Social.

    O s presidentes do PMDB, Michel Temer, e do Senado, Renan Calheiros, que ontem receberam de Lula a oferta de mudar as duas pastas desse partido, majoritário no Congresso, pelas de Saúde, Minas e Energia, Integração Nacional e Cidades, ficaram de consultar a proposta com os demais dirigentes e dar uma resposta na próxima semana.

    Em troca de uma representação maior, Lula pediu o apoio total do PMDB no Congresso, que nas últimas semanas paralisou sua atividade legislativa para investigar as denúncias de corrupção no PT.

    "O presidente enfatizou a necessidade de que o PMDB participe de forma mais ampla do governo, e disse que o partido é indispensável para a tranqüilidade institucional do país", afirmou Michel Temer, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

    Analistas políticos consideram improvável que o PMDB se alie totalmente ao governo, porque há uma forte corrente, da qual fazem parte vários governadores, que considera não ser o momento propício para mudar apoios por cargos.

    A renovação do gabinete de Lula, que reduzirá sensivelmente o peso do PT no governo, começou na semana passada com a saída do ministro da Casa Civil, José Dirceu.

    O escândalo dos supostos subornos pagos pelo PT a congressistas de partidos aliados em troca do apoio ao governo nas votações no Legislativo cresce como uma bola de neve, e hoje se agregaram novos ingredientes à trama.

    A revista Isto É informa que duas agências de publicidade vinculadas ao escândalo retiraram de um banco público, durante dois anos, milionárias somas de dinheiro que teriam sido usadas para pagar os subornos denunciados pelo deputado Roberto Jefferson.

    Segundo a revista, documentos em poder do Conselho de Controle de Atividades Financeiras mostram que, entre julho de 2003 e maio deste ano, R$ 20,6 milhões em dinheiro foram retirados das contas das agências SMP&B e DNA no Banco Rural.As duas agências, que têm sede em Belo Horizonte, não explicaram o motivo pelo qual tiravam periodicamente grandes quantias de dinheiro.

    Segundo a rádio CBN, um assessor da SMP&B informou hoje que todas as explicações serão dadas a uma comissão do Congresso na próxima quarta-feira pelo empresário Marcos Valerio Fernandes, sócio das duas empresas e apontado por Jefferson como um dos intermediários usados pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, para pagar os subornos aos congressistas.

    EFE
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    Terra - Brasil
    http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI568718-EI1194,00.html