Milho transgênico é seguro, afirma Monsanto

Terça, 24 de maio de 2005, 08h53


A multinacional Monsanto reafirma que o seu milho geneticamente modificado MON 863 é seguro para a saúde animal e humana. A nota foi divulgada ontem após a publicação da reportagem do jornal britânico "The Independent", dizendo que essa variedade de milho causava alterações nos rins e no sangue de ratos que foram alimentados por ela.

A empresa ressalta que "esse milho é tão seguro quanto o convencional, tanto para consumo humano quanto animal e quanto ao meio ambiente, conforme comprovam diversos estudos independentes com este produto, sendo, inclusive, já aprovado para cultivo e consumo desde 2003 em diversos países".

A Monsanto esclarece ainda que, ao contrário do informado, o estudo não é confidencial e sempre esteve disponível a quem quisesse consultá-lo, sob pedido à empresa, sendo inclusive submetido às agências regulatórias européias. A nota diz que da mesma forma que acontece com outras empresas que solicitam aprovação de seus produtos, a Monsanto submete todas as informações necessárias para avaliação de órgãos reguladores como requisito para sua liberação.

Segundo a Monsanto, como é de praxe, as empresas não costumam tornar público esses documentos, por se tratar de questões estritamente técnicas. "No entanto, uma vez solicitada, a Monsanto disponibiliza os dados das pesquisas por ela conduzidas com seus produtos comercialmente disponíveis a quem se interessar, parte, inclusive, do compromisso de transparência assumido mundialmente pela empresa".

A nota salienta também que, com relação à segurança alimentar do milho MON 863, quando avaliado pela Autoridade Européia de Segurança Alimentar (EFSA), órgão responsável pela avaliação de produtos transgênicos na União Européia, esta variedade geneticamente modificada foi considerada segura para consumo humano e animal e também para o meio ambiente, conforme descrito na conclusão da agência: "com a colocação no mercado do MON 863, é improvável que haja quaisquer reações adversas na saúde humana e animal e ao meio ambiente no contexto do seu uso proposto".

Mais especificamente sobre o estudo com ratos, a EFSA também afirma que: "nenhuma diferença no consumo alimentar do MON 863 foi observada no tamanho dos rins em comparação com o peso dos ratos". Em 19 de maio, o dossiê foi enviado para avaliação do Conselho de Ministros da União Européia para decisão final.

Além do relatório submetido pela Monsanto, outros estudos independentes europeus avaliaram o MON 863 e confirmaram sua segurança. O Robert Kock Institut (RKI), da Alemanha, concluiu: "a partir desse estudo extensivo, pode-se deduzir que, mesmo após exposição oral a longo prazo ao milho MON 863, nenhum efeito adverso é esperado".

A mesma conclusão é compartilhada pela Agência Francesa de Segurança Alimentar (AFSSA): "o consumo humano de grãos e produtos derivados do milho MON 863 não representa qualquer risco nutricional". E especialistas independentes também revisaram o estudo e confirmaram que o milho MON 863 não causa efeitos adversos na saúde dos ratos. "Eu não consigo achar qualquer parâmetro neste estudo que forneça qualquer indicação de efeito adverso do MON 863', assegura o especialista alemão, Daniel Dietrich.

De acordo com o patologista britânico, Anthony Dayan, "os poucos, esparsos e efeitos variáveis são típicos dos resultados de qualquer estudo em larga escala. Eles não indicam qualquer efeito tóxico ou biológico do MON 863 na dieta. Os dados são consistentes com a variação biológica normal".

Segundo a Monsanto, o milho MON 863 YieldGard é desenvolvido com objetivo de proteger as lavouras do ataque de insetos nas raízes das plantas, graças à inserção em seu código genético do gene da proteína do Bacillus thuringiensis (Bt), uma bactéria encontrada naturalmente no solo, que possui ação inseticida em larvas de alguns tipos de insetos-praga, sendo inclusive utilizada na agricultura orgânica.

O milho MON 863 YieldGard da Monsanto é cultivado em escala comercial nos Estados Unidos e Canadá desde 2003 e foi aprovado para importação e consumo humano no Japão, Coréia, Taiwan, Filipinas, Rússia e México.

Redação Terra
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Terra - Brasil
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