Em sua primeira entrevista coletiva após ser escolhido secretário-geral da organização para um mandato de cinco anos, Insulza disse que sua eleição foi fruto de um "consenso genuíno".
O chileno afirmou que, desde a sexta-feira passada, dia em que Luis Ernesto Derbez retirou sua candidatura, recebeu várias notas de apoio de países do continente que até então respaldavam o mexicano.
Insulza disse que as votações do dia 11 de abril, quando houve cinco empates entre ele e Derbez, não demonstram divisão dentro da OEA.
O chileno se mostrou partidário da conciliação e afirmou que "é melhor evitar as crises que intervir nelas".
"Não acredito na intervenção, nem rápida nem lenta", afirmou Insulza, ressaltando que a OEA tem que mediar e dialogar para resolver os problemas do continente.
Insulza foi especialmente cuidadoso ao ressaltar várias vezes que, como secretário-geral da OEA, estará "a serviço dos 34 países-membros" e se mostrou convencido de que terá o "melhor respaldo" de todas nações da organização.
O novo secretário-geral disse também que acredita na Comissão Interamericana de Direitos Humanos e acha que ela deve ser integrada por pessoas, independente de seus países de origem, capazes de estudar os temas de maneira independente. Para ele, a comissão deve ser uma "entidade autônoma" em seu diálogo com os países.
O chileno se negou a falar da nota de protesto do governo do Peru ao do Chile devido à venda de armas ao Equador durante o conflito peruano-equatoriano em 1995. Para Insulza, trata-se de um assunto bilateral que não lhe diz respeito.
O ministro das Relações Exteriores do Chile, Ignacio Walker, disse na entrevista coletiva que seu governo estuda o protesto e responderá nas próximas horas ou dias "com todo o respeito" para fortalecer as relações bilaterais.
Walker, no entanto, ressaltou que o Chile esclareceu a operação de venda de armas "satisfatoriamente" ao governo do Peru em fevereiro de 1995.
Insulza foi eleito secretário-geral da OEA por 31 votos a favor, um em branco e duas abstenções.
A votação foi feita a pedido do Peru, alegando que não havia consenso em torno da candidatura do chileno.
Antes da votação, a Bolívia expressou sua objeção à candidatura de Insulza. O país e o Chile têm divergências no que diz respeito ao acesso dos bolivianos ao mar.
EFE