Papa deixou o hospital Gemelli acenando para centenas de fiéis que aguardavam sua saída. |
Segundo fontes dos serviços de saúde, o Papa, que fará 85 anos em maio, voltou para o Vaticano com uma cânula na traquéia, que os médicos decidirão quando será retirada.
O Pontífice chegou ao Vaticano às 18h36min, horário local (14h36min, horário de Brasília) - 25 minutos depois de sair do Gemelli. Centenas de pessoas, entre elas funcionários do hospital, reuniram-se para se despedir do Pontífice.
O Bispo de Roma viajou sentado num carro ao lado do motorista. No banco de trás, ele foi acompanhado por seu secretário particular, o arcebispo Estanislado Dziwisz, que permaneceu sempre ao lado do Papa nestes 18 dias de hospitalização.
Uma câmera de televisão instalada dentro do automóvel e colocada atrás do Pontífice mostrou como ele não parou de saudar e abençoar os romanos que saíram às ruas para cumprimentá-lo, em seu trajeto do Gemelli ao Vaticano, de apenas quatro quilômetros.
Joao Paulo II entrou no Vaticano pelo Arco dos Sinos, depois de atravessar a Praça de São Pedro iluminada. Em seguida, ele se dirigiu para seu quarto no terceiro andar do Palácio Apostólico.
Segundo informou seu porta-voz, Joaquín Navarro Valls, o Papa deseja retomar o trabalho, mas espera-se que ele descanse na próxima semana, levando em conta que no domingo começa a Semana Santa.
João Paulo II delegou a seus cardeais os ritos da Semana Santa. É previsto apenas que ele dê a bênção "Urb et Orbi" do Domingo da Ressurreição, mas nao é descartada a possibilidade do Papa presidir a Via Crucis da Sexta-feira Santa, já que é o único rito que, por enquanto, não foi delegado a ninguém.
Com sua volta ao Vaticano, o Pontífice sai de sua nona hospitalização no Gemelli, chamado por ele de sua "terceira casa" depois do Vaticano e do Castel Gandolfo, por causa do número de vezes em que ficou internado lá.
Em seus 26 anos de Pontificado, Karol Wojtyla passou 164 dias hospitalizado no "Vaticano III", outra forma como ele chama a policlínica.
João Paulo II foi internado no Gemelli às 11h30min horas locais (7h30min de Brasília) do dia 24 de fevereiro, devido a uma crise respiratória aguda após uma piora na gripe que sofre desde o fim de janeiro e que o levou a ficar internado também de 1º a 10 de fevereiro.
Depois de ser submetido a vários exames, às 20h20min pelo horário local (16h20min de Brasília) de 24 de fevereiro, o Papa foi submetido a uma traqueostomia, durante a qual foi colocada uma cânula.
Para a traqueostomia, Joao Paulo II recebeu uma anestesia geral, dada com o seu consentimento.
O pós-operatório transcorreu normalmente e, segundo disse Navarro, no dia seguinte o Papa já respirava sem ajuda mecânica, comia regularmente e se comunicava por escrito, pois deveria ficar vários dias sem poder falar para recuperar a voz.
Assim que passou o efeito da anestesia, e o Papa foi levado a seu quarto, ele pediu um papel e começou a se comunicar por escrito.
Segundo Navarro, a primeira frase que o Pontífice escreveu foi: "Mas eu continuo sendo Totus Tuus (todo teu)", que é o lema de seu pontificado.
Com essas palavras, ele reiterou sua intenção de continuar à frente da Igreja até o fim de suas dias.
A tranqüilidade voltou à Santa Sé e o Papa surpreendeu três dias depois, quando fez um grande esforço para aparecer na janela de seu quarto do Gemelli e dar a bênção, sem falar nada, do Angelus dominical.
Nestes dias de hospitalização, a reza do Angelus foi feita em seu nome na praça de São Pedro pelo "número três" do Vaticano, o arcebispo argentino Leonardi Sandri. Nos últimos dias de sua internação, o Papa já dava a bênção através do vidro da janela do Gemelli.
Neste tempo, ele retomou seu trabalho de forma limitada, despachando com seus colaboradores e cardeais. Um destes, Joseph Ratzinger, da Congregação para a Doutrina da Fé, garantiu que o Papa havia recuperado a fala e conversado com ele em alemão e italiano.
A confirmação aconteceu no dia 11 de março, quando o Vaticano divulgou uma gravação da missa que o Papa celebrou nesse dia no Gemelli, na qual ele falou com clareza "va bene" (está bem) duas vezes, dirigindo-se a alguns bispos africanos.
Neste domingo, João Paulo II voltou a surpreender quando, depois do Angelus, tomou um microfone e cumprimentou em italiano e em polonês.
Era a primeira vez que falava em público depois dos 18 dias de internação.
"Queridos irmãos e irmãs, obrigado por sua visita. Viva Wadowice.
Saudaçao aos Legionários de Cristo. Bom domingo e boa semana", disse o Pontífice, com voz rouca, mas clara.
Em polonês, disse "viva Wadowice", sua cidade natal, enquanto pronunciou o resto em italiano.
João Paulo II teve de tomar ar várias vezes para continuar falando, mas suas palavras demonstraram que ele recuperou a fala, continua tendo a mesma expressão e tom que antes da operação.
EFE